Ciência

Governo federal inaugura expansão do acelerador de partículas Sirius com investimento de 800 milhões de reais

19 de Maio de 2026 às 06:36

O governo federal inaugurou a expansão do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, com investimento de R$ 800 milhões. A ampliação ativa quatro novas linhas de pesquisa e integra a estrutura ao Projeto Orion, laboratório de contenção biológica NB4. A solenidade também marcou o lançamento do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde

Governo federal inaugura expansão do acelerador de partículas Sirius com investimento de 800 milhões de reais
Imagem: Caminhos da Reportagem /TV Brasil

O governo federal inaugurou, nesta segunda-feira (18), a expansão do Sirius, acelerador de partículas localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O investimento de R$ 800 milhões, proveniente do Novo PAC e coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), eleva para R$ 2,8 bilhões o total de recursos federais aplicados no síncrotron de quarta geração, consolidando a estrutura como um dos polos de física molecular mais avançados do mundo.

A ampliação consiste na ativação de quatro novas linhas de pesquisa: Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. Cada unidade operará de forma autônoma na captação de radiação de alto brilho, gerada pelo movimento acelerado de elétrons, para mapear amostras em dimensões nanométricas. A estação Sapê será dedicada a ensaios de alta complexidade para a caracterização de materiais semicondutores e supercondutores, com foco no desenvolvimento de microchips e suporte à indústria do setor. Já as linhas Tatu, Sapucaia e Quati atuarão integradamente no monitoramento de estruturas proteicas complexas, ligas metálicas de minerais estratégicos e solos aráveis, permitindo a observação de substâncias sob condições extremas de temperatura e pressão.

Durante a agenda, que contou com a presença de ministros, chefes de autarquias e o comitê científico do CNPEM, foi vistoriada a obra do Projeto Orion. Com orçamento de R$ 1,4 bilhão e previsão de fechamento estrutural até o fim do ano, o Orion será o primeiro laboratório de máxima contenção biológica de nível NB4 do mundo acoplado fisicamente a uma fonte de luz síncrotron. Essa integração, que demandou o uso de amortecedores de vibração inéditos, permitirá o mapeamento da proliferação de microrganismos de alta transmissibilidade via alta resolução, sem a necessidade de romper barreiras de vácuo. A execução da obra civil do Orion utilizou 85% de insumos e fornecedores nacionais.

A solenidade também marcou o lançamento da Pedra Fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa visa estabelecer canais de transferência tecnológica entre as pesquisas do acelerador e laboratórios públicos do SUS, com a meta de reduzir a dependência brasileira de Insumos Farmacêuticos Ativos estrangeiros e agilizar testes de vacinas e medicamentos de alta tecnologia.

Com a homologação das novas instalações, a capacidade do Sirius para absorver projetos corporativos privados e pesquisas de pós-graduação deve dobrar. O acesso ao complexo permanece aberto e gratuito para cientistas brasileiros e estrangeiros, mediante a submissão de propostas sujeitas a revisão por pares e avaliação técnica.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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