Ciência

Humanos primitivos no Quênia utilizavam estratégias organizadas de processamento de carcaças há 1,6 milhão de anos

15 de Maio de 2026 às 06:12

Análise de mais de 1.000 fósseis no norte do Quênia indica que humanos primitivos processavam carcaças de animais sistematicamente há 1,6 milhão de anos. O estudo identificou o uso de ferramentas de pedra para a remoção de carne e extração de medula, com transporte seletivo de partes carnudas para áreas seguras

Humanos primitivos no Quênia utilizavam estratégias organizadas de processamento de carcaças há 1,6 milhão de anos
Marcas de corte em ossos de 1,6 milhão de anos revelam como humanos antigos transportavam carne valiosa no Quênia.

Uma análise de mais de 1.000 espécimes ósseos fossilizados, predominantemente de antílopes e outros animais pastadores, revelou que humanos primitivos da Formação Koobi Fora, no norte do Quênia, utilizavam estratégias sistemáticas de processamento de carcaças há 1,6 milhão de anos. O estudo, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências, identificou que esses grupos não dependiam de restos encontrados ao acaso, mas adotavam um comportamento organizado de exploração alimentar.

A metodologia consistiu no uso de ampliação de alta potência para distinguir incisões feitas por ferramentas de pedra de marcas deixadas por dentes de predadores. A presença de cortes afiados em ossos de pernas indica que o acesso às carcaças ocorria precocemente, enquanto a carne ainda estava disponível. O padrão de marcas, que inclui arranhões, buracos e sinais de martelamento, demonstra que a carne era removida de forma intensa e os ossos eram posteriormente quebrados para a extração de nutrientes internos.

A distribuição dos fósseis no sítio arqueológico reforça a tese de transporte seletivo. A predominância de ossos de membros, em detrimento de crânios ou vértebras, sugere que os primeiros humanos selecionavam as partes mais carnudas e as deslocavam para áreas com menor risco de exposição a grandes predadores, como abrigos próximos.

Esse comportamento era sustentado pela diversidade ambiental da região na época, que combinava planícies aluviais vegetadas e vastas pastagens. A repetição desse processamento em diferentes condições indica que a estratégia de exploração era consistente e adaptada às mudanças nos regimes competitivos do ambiente.

A pesquisa associa o acesso regular a alimentos de alta qualidade, como a carne e a medula óssea, ao fornecimento de energia necessário para a evolução de cérebros maiores. Além disso, esse aproveitamento recorrente e organizado de recursos animais pode ter servido de base para o surgimento de comportamentos sociais mais complexos.

Notícias Relacionadas