Iceberg A-23a deve sofrer dissolução completa entre maio e junho de 2026
O iceberg A-23a deve se dissolver completamente entre maio e junho de 2026. A área do bloco, que era de 4.000 km² em 1986, reduziu-se para 170 km² em março de 2026. A fragmentação do gelo reabriu 27 rotas de navegação comercial no Mar de Weddell

O iceberg A-23a, que se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne em agosto de 1986, caminha para a dissolução completa entre maio e junho de 2026. Após permanecer ancorado no fundo do Mar de Weddell por quase 34 anos devido ao seu calado de 350 metros, o bloco iniciou seu movimento de deriva em 2020.
A redução dimensional do iceberg foi drástica. No momento do desprendimento, o A-23a possuía 4.000 km², integrando um grupo de três blocos (incluindo o A-22 e o A-24) que somavam 11.500 km². Em 2020, sua área era de 4.029 km². O processo de fragmentação acelerou a partir de 2025: em agosto, a área caiu para 3.500 km² com a saída do fragmento A-23c; em setembro, a perda do A-23d reduziu o bloco para 2.000 km². Em janeiro de 2026, após o desprendimento do A-23e, restavam 1.182 km², volume que despencou para os atuais 170 km² em março do mesmo ano.
A aceleração do derretimento é atribuída a fatores térmicos e físicos. Satélites do programa Copernicus detectaram, em janeiro de 2026, uma coloração azul intensa na superfície do iceberg, sinalizando o acúmulo de água de degelo em depressões no topo. Esse fenômeno, raro em regiões antárticas devido ao frio extremo, faz com que a superfície absorva mais radiação solar. Somado a isso, o A-23a entrou em contato com águas a 3°C, temperatura suficiente para acelerar a desintegração da estrutura.
Durante sua trajetória, o bloco apresentou comportamentos atípicos. Em 2024, uma coluna de Taylor provocou a rotação anti-horária do iceberg, mantendo-o girando em um ponto fixo entre as Ilhas Órcades do Sul e o continente antártico. Atualmente, fragmentos do A-23a continuam à deriva entre a América do Sul e a Geórgia do Sul.
O deslocamento do gelo impactou a fauna local. A aproximação do bloco em 2025 alterou as rotas de alimentação da maior colônia de pinguins-rei do mundo, na Geórgia do Sul, além de modificar o comportamento de baleias-jubarte e focas-leopardo. Por outro lado, a dissolução final libera ferro e silício acumulados por 40 anos, nutrientes que estimulam o crescimento do fitoplâncton e beneficiam o krill e a cadeia alimentar regional.
No âmbito logístico, a fragmentação do A-23a desbloqueou a navegação comercial no Mar de Weddell, que estava interrompida há quatro anos. A reabertura de 27 rotas alternativas viabiliza a retomada do acesso de cargueiros e navios de pesquisa a portos da Argentina e do Chile. A região volta a ser palco de exercícios das marinhas chilena e argentina, além de atividades do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), com operações do navio Almirante Maximiano.
Embora existam discussões sobre se esse desprendimento integra um ciclo natural de séculos ou reflete transformações climáticas em larga escala, o destino do gelo é a dissolução. O que resta do bloco seguirá para o norte, onde o calor das águas tropicais finalizará o processo. Fragmentos menores que 10 km² deixam de ser classificados como icebergs gigantes e param de ser monitorados, embora haja a possibilidade de que alguns pedaços alcancem o cabo da Boa Esperança antes de desaparecerem.