Imagens da Estação Espacial Internacional registram a Estrutura de Richat no deserto da Mauritânia
A Estação Espacial Internacional registrou a Estrutura de Richat, formação circular de 50 quilômetros na Mauritânia. Estudos descartam origem extraterrestre, atribuindo a geometria a um domo geológico moldado por erosão e pressão subterrânea. A dimensão do local permite a calibração de sensores e equipamentos de observação orbital
Imagens capturadas pela Estação Espacial Internacional registraram a Estrutura de Richat, formação geológica localizada na Mauritânia com quase 50 quilômetros de largura. Conhecida como “Olho do Saara”, a estrutura se destaca por sua geometria circular composta por camadas concêntricas, sendo um dos pontos mais reconhecíveis do deserto sob a perspectiva do Observatório da Terra, da NASA Science.
Embora a aparência sugira a marca de um impacto extraterrestre, análises recentes descartam a origem cósmica. A ausência de metamorfismo de choque, característica típica de crateras de meteoros, confirma que a formação é resultado de processos naturais da crosta terrestre. A teoria científica predominante indica que a estrutura surgiu de um domo geológico que sofreu elevação e foi posteriormente esculpido pela erosão provocada pelo vento e pela água.
Esse processo de moldagem começou há centenas de milhões de anos, durante a fragmentação de continentes antigos. A combinação de calor interno e pressão subterrânea elevou a superfície, enquanto a alternância entre materiais de diferentes resistências — como o quartzito e os argilitos — criou o padrão de anéis observado atualmente.
A composição mineral da região revela que as cristas externas são formadas por rochas sedimentares resistentes, enquanto o centro concentra rochas vulcânicas antigas de idades variadas. Essa diversidade transforma o local em um laboratório natural para o estudo da evolução geológica no continente africano.
Devido à sua dimensão, a Estrutura de Richat é visível a centenas de quilômetros de altitude, o que permite que cientistas utilizem a formação para calibrar sensores e equipamentos de observação orbital. As imagens de alta resolução possibilitam a visualização de detalhes imperceptíveis ao nível do solo e auxiliam no monitoramento de mudanças ambientais, como o avanço de dunas e alterações climáticas na região desértica.