Imagens da NASA revelam a cratera de asteroide no Canadá com mais de 100 quilômetros de extensão
Imagens da NASA de 2023 registram a Cratera Manicouagan, no Canadá, originada por um asteroide de 5 quilômetros há 215,5 milhões de anos. A formação possui um anel interno de 70 quilômetros, com visibilidade orbital ampliada pela criação do Reservatório Manicouagan na década de 1960
Imagens atualizadas do Earth Observatory da NASA, divulgadas em 2023, evidenciam a Cratera Manicouagan, situada na província de Quebec, no Canadá. A estrutura é o registro de um impacto ocorrido há cerca de 215,5 milhões de anos, durante o período Triássico, quando um asteroide de aproximadamente 5 quilômetros de diâmetro atingiu a superfície terrestre.
A colisão ocorreu a velocidades superiores a 20 quilômetros por segundo, liberando energia equivalente a milhões de megatons de TNT. Esse processo provocou a compressão extrema das rochas e um subsequente rebote elástico da crosta, resultando em uma cratera complexa com múltiplos níveis estruturais, anéis e elevações centrais. As ondas de choque e as altas temperaturas do evento fundiram rochas e alteraram permanentemente a composição geológica da região.
Com uma extensão original que ultrapassa 100 quilômetros, a formação integra um grupo restrito de impactos de alta energia. Diferente de crateras menores, Manicouagan preservou sua morfologia devido à escala do evento e à estabilidade geológica local. O anel interno, com cerca de 70 quilômetros de diâmetro, apresenta uma simetria rara que, somada ao desgaste diferencial das camadas rochosas ao longo de milhões de anos, torna a estrutura facilmente reconhecível do espaço, rendendo-lhe o apelido de “Olho de Quebec”.
A aparência atual da cratera foi intensificada por intervenção humana na década de 1960, com a construção da barragem Daniel-Johnson. A obra criou o Reservatório Manicouagan, um dos maiores reservatórios artificiais do Canadá, que inundou a área do anel interno. Essa inundação ampliou o contraste visual entre a água e o terreno circundante, realçando a geometria circular da estrutura em imagens orbitais sem alterar sua geologia.
Do ponto de vista científico, a cratera funciona como um laboratório natural para o estudo de colisões cósmicas e seus efeitos na crosta terrestre. A datação do impacto no final do Triássico coincide com o período anterior a uma das grandes extinções em massa da Terra. Embora não exista consenso definitivo sobre a ligação direta entre os dois eventos, a magnitude do impacto levanta hipóteses sobre a influência de colisões desse porte no clima, nos ecossistemas e na composição atmosférica global.