Ciência

Impacto de asteroide na Austrália criou cratera e gerou depósitos de ouro há 790 mil anos

28 de Junho de 2026 às 12:01

Um asteroide atingiu a região de Ora Banda, na Austrália, há 790 mil anos, formando uma cratera de 4 quilômetros de diâmetro. O impacto ejetou partículas de ouro que retornaram à superfície, conforme estudo publicado na revista Meteoritics and Planetary Science. A confirmação do evento ocorreu via análise de cones de estilhaçamento, brechas e grãos de quartzo deformados

Impacto de asteroide na Austrália criou cratera e gerou depósitos de ouro há 790 mil anos
Raiza Quintero

A colisão de um asteroide na região da Australásia, ocorrida há 790 mil anos, resultou na criação de uma cratera com 4 quilômetros de diâmetro e na geração de volumes significativos de ouro. O evento, detalhado em artigo publicado na revista *Meteoritics and Planetary Science* em 9 de junho, teve como ponto de impacto a área próxima a Ora Banda, um distrito histórico de mineração na Austrália.

A região se destaca por apresentar rochas vulcânicas metamorfoseadas, como o basalto, conhecidas como rochas verdes. Esse tipo de formação é fundamental para a economia australiana devido à presença de pequenas pepitas de ouro. A análise das brechas locais revelou que, enquanto algumas áreas contêm apenas minerais e vidro, outras possuem depósitos auríferos. Essa disparidade indica que, durante o impacto, partículas de ouro foram ejetadas para a atmosfera e retornaram à superfície, depositando-se nas aberturas recém-formadas.

A confirmação de que Ora Banda é, de fato, uma cratera de impacto dependeu da identificação de evidências diagnósticas geológicas. A primeira prova foi a detecção de cones de estilhaçamento em afloramentos rochosos superficiais, estruturas cônicas que registram a passagem de ondas de choque. Complementarmente, a extração de núcleos de sondagem do subsolo revelou uma composição rochosa variada e estratificada: sedimentos ricos em argila concentram-se no topo, enquanto a base é composta majoritariamente por brechas geradas pela força da colisão.

Essas brechas, rochas fragmentadas e unidas por uma matriz de partículas menores, apresentam diferentes classificações em Ora Banda. Foram identificadas brechas monomíticas, compostas por um único tipo de rocha, e polimíticas, que reúnem fragmentos de diversas origens. O estudo também catalogou a presença de suevitas, rochas que contêm partículas vítreas fundidas, formadas quando o material ejetado ao ar foi transformado pelo calor extremo do choque.

A comprovação final do evento astronômico veio por meio de análises microscópicas. Os pesquisadores identificaram grãos de quartzo com deformações exclusivas de impactos meteoríticos, além de resíduos do próprio asteroide fundidos ao vidro, resultado da vaporização e dissolução do corpo celeste no momento da colisão.

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