Ciência

Impacto de asteroide no Caribe causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos

15 de Maio de 2026 às 06:12

Um asteroide de 10 quilômetros de diâmetro atingiu a região do Caribe há 66 milhões de anos, extinguindo os dinossauros e metade das espécies terrestres e marinhas. O impacto gerou uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, megatsunamis, chuvas ácidas e a redução da temperatura global. A hipótese foi confirmada por concentrações de irídio e a localização de uma cratera no México

Impacto de asteroide no Caribe causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos
Pixabay

Há 66 milhões de anos, o impacto de um asteroide de aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro na região do Caribe desencadeou a extinção dos dinossauros e de cerca de metade das espécies terrestres e marinhas. O evento ocorreu no final do período Cretáceo, época em que o nível do mar era entre 100 e 200 metros superior ao atual, abrangendo áreas que hoje compõem o sul dos Estados Unidos e o leste do México.

A colisão transformou a energia cinética do corpo celeste em calor, vibrações sísmicas e ondas de choque. Em poucos segundos, formou-se uma cavidade transitória com 30 quilômetros de profundidade — superando a Fossa das Marianas — e bordas que atingiram 20 quilômetros de altura. O material vaporizado alcançou temperaturas superiores a 9.700°C. Em três minutos, a estrutura colapsou, resultando em uma cratera final de 180 quilômetros de diâmetro e 20 quilômetros de profundidade.

Os efeitos imediatos foram letais em escala continental. A radiação térmica e ventos supersônicos eliminaram a vida em um raio de 2.000 quilômetros do epicentro. Em cinco minutos, ventos com intensidade de furacão de categoria 5 devastaram tudo em um raio de 1.500 quilômetros, enquanto a temperatura atmosférica local subiu para 226,85°C, incendiando a vegetação. Como o impacto ocorreu no mar, a atmosfera foi saturada por vapor superaquecido, potencializando a letalidade dos ventos.

O deslocamento de massas de água e rocha gerou megatsunamis de 100 metros de altura, que atingiram as margens do atual Golfo do México. Com o tempo, ondas de 50 metros percorreram os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, devastando litorais globais. Simultaneamente, a ejeção de detritos lançou blocos de rocha por centenas de quilômetros e espalhou um cinturão de poeira e esferas de impacto por todo o planeta, da Dinamarca à Nova Zelândia.

A consequência climática foi a escuridão quase total. Em uma semana, a poeira e a fuligem de incêndios florestais bloquearam a luz solar, reduzindo o fluxo térmico a um milésimo do normal e derrubando a temperatura global em pelo menos 5°C. Esse cenário impediu a fotossíntese de plantas e fitoplânctons, colapsando a base da cadeia alimentar.

A composição química da atmosfera também se tornou tóxica. A vaporização de sedimentos ricos em enxofre e a reação entre nitrogênio e oxigênio geraram ácidos sulfúrico e nítrico. O resultado foram chuvas ácidas com pH próximo a 1, comparável ao ácido de bateria, que lixiviaram nutrientes do solo e acidificaram os oceanos, destruindo corais e moluscos.

Um ano após o impacto, a Terra enfrentava um inverno rigoroso, com a temperatura média da superfície 15°C abaixo dos níveis anteriores. Mais de 50% das plantas foram extintas. Sobreviveram apenas animais pequenos, como insetos e mamíferos do tamanho de ratos, que conseguiram se abrigar em tocas ou sob a água. A extinção de predadores de topo, como dinossauros e pterossauros, abriu nichos ecológicos que permitiram a posterior expansão e evolução dos mamíferos.

A comprovação científica desse evento começou em 1980, quando o físico Luis Alvarez e sua equipe identificaram altas concentrações de irídio — elemento comum em meteoritos, mas raro na crosta terrestre — em camadas de argila na Itália e Dinamarca. A hipótese foi consolidada em 1991, com a localização de uma cratera na Península de Yucatán, no México, corroborada por estudos sobre o resfriamento climático do final do Cretáceo.

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