Inclinação da órbita lunar impede que eclipses solares e lunares ocorram mensalmente
Artigo do Science Media Centre España, com pesquisadores da Universidade de Alicante, explica que a inclinação de 5 graus da órbita lunar impede que eclipses ocorram mensalmente. O fenômeno acontece apenas nos nodos orbitais, resultando em dois a cinco eclipses solares anuais. O próximo eclipse solar total ocorrerá em 12 de agosto de 2026, visível em partes da Europa e do Ártico
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A inclinação da órbita lunar é o fator determinante para que eclipses solares e lunares não ocorram mensalmente, apesar do alinhamento regular entre a Terra, a Lua e o Sol. O fenômeno é detalhado em um artigo publicado na última terça-feira (12) pelo Science Media Centre España, com a participação de sete pesquisadores da Universidade de Alicante.
O estudo revela que a órbita da Lua possui uma inclinação de aproximadamente 5 graus em relação ao plano em que a Terra orbita o Sol. Essa diferença geométrica faz com que, na maioria das luas novas e cheias, a sombra do satélite ou do planeta passe acima ou abaixo do alvo, impedindo o eclipse. O evento astronômico só acontece quando a Lua cruza pontos específicos de sua órbita, chamados de nodos, onde o alinhamento se torna perfeito.
De acordo com a Nasa, essa coincidência ocorre apenas em dois períodos do ano, conhecidos como temporadas de eclipses, que duram cerca de 40 dias cada. Devido a essa restrição, o planeta registra, em média, entre dois e cinco eclipses solares anuais, abrangendo as modalidades total, anular, híbrido e parcial. Eclipses solares totais são ainda mais raros, com uma frequência média de um a cada 375 anos para uma localidade específica.
A próxima ocorrência de um eclipse solar total está prevista para 12 de agosto de 2026. A sombra da Lua percorrerá o Ártico, a Groenlândia, a Islândia, o norte da Espanha e parte de Portugal, marcando a primeira vez que o fenômeno será visível na Europa continental desde 1999. O evento não poderá ser observado no Brasil.
Além da dinâmica dos eclipses, os pesquisadores de Alicante identificaram equívocos comuns na compreensão do sistema Sol-Terra-Lua, persistentes inclusive em pessoas com escolaridade. Um erro frequente é a crença de que as fases da Lua são causadas pela sombra da Terra. Na realidade, as fases resultam da porção iluminada da Lua que é visível da Terra conforme ela orbita o planeta em um ciclo de 29,5 dias, refletindo a luz solar.
Outra confusão recorrente é a associação do eclipse solar com a Lua cheia, quando, na verdade, ele ocorre exclusivamente na Lua nova, momento em que o satélite se posiciona entre a Terra e o Sol. Há também a percepção equivocada de que a Terra cobre o Sol durante esse evento, quando o bloqueio é realizado pela Lua.
O grupo de pesquisa observou que essas interpretações errôneas não são comuns em crianças pequenas, mas são construídas ao longo do tempo por meio de conversas informais, cultura e materiais didáticos. Os autores apontam que livros escolares costumam representar os astros em um único plano bidimensional, omitindo a inclinação de 5 graus e a natureza cônica da sombra terrestre, o que induz o cérebro a acreditar que o alinhamento é constante. Outro fator contribuinte é a dificuldade em alternar a perspectiva entre a visão de um observador na Terra e a de um observador no espaço.
Sobre a mecânica dos fenômenos, o eclipse solar total ocorre quando a Lua bloquea completamente a luz solar, permitindo ver apenas a coroa do Sol. No anular, a maior parte da luz é bloqueada, e no parcial, não há um alinhamento perfeito. Já o eclipse lunar acontece quando a Terra obscurece a Lua, podendo ser penumbral (quando a Lua entra na penumbra), parcial ou total (quando mergulha na umbra, a parte mais escura da sombra).
Para 2026, o calendário prevê quatro eventos: um eclipse solar parcial em 17 de fevereiro (não visível no Brasil), um eclipse lunar total em 3 de março (visível em alguns estados brasileiros), o eclipse solar total de 12 de agosto (não visível no Brasil) e um eclipse lunar parcial entre 27 e 28 de agosto (visível em todo o país).