Ciência

Instituto Franco-Alemão realiza primeiro teste ao ar livre de canhão eletromagnético experimental

13 de Julho de 2026 às 12:16

O Instituto Franco-Alemão de Pesquisa em Saint-Louis (ISL) realizou o primeiro teste ao ar livre de um railgun experimental em 29 de junho de 2026. O dispositivo utiliza eletricidade para acelerar projéteis a velocidades hipersônicas via energia cinética

Instituto Franco-Alemão realiza primeiro teste ao ar livre de canhão eletromagnético experimental
ISL

O Instituto Franco-Alemão de Pesquisa em Saint-Louis (ISL) realizou, em 29 de junho de 2026, o primeiro teste ao ar livre de seu railgun experimental no campo de Baldersheim. O dispositivo, que utiliza eletricidade em vez de pólvora para acelerar projéteis a velocidades hipersônicas, marca a transição das pesquisas do instituto, que até então ocorriam exclusivamente em ambiente de laboratório, para condições que simulam o uso real.

O funcionamento do canhão de trilhos baseia-se na geração de um campo eletromagnético entre dois trilhos condutores, impulsionando o projétil em milissegundos. Diferente das armas convencionais, o impacto não depende de explosivos, mas da energia cinética acumulada durante a aceleração, transformando o projétil em um míssil sem a necessidade de combustível ou pirotecnia.

Desenvolvimento e Objetivos Técnicos

A nova instalação de testes, fruto de um programa iniciado há dois anos, permite ao ISL avançar em etapas críticas para a viabilidade de combate do sistema. Entre as prioridades atuais estão o aumento gradual da energia em disparos múltiplos, a análise do comportamento do projétil em voo livre por longas distâncias e o aprimoramento de munições específicas para lançamento eletromagnético.

Para sustentar esse progresso, o instituto adota um modelo de integração vertical, desenvolvendo simultaneamente sensores, robótica, sistemas de orientação, navegação, acústica, drones e materiais energéticos. Essa estrutura visa garantir que a evolução de cada disciplina impulsione as demais.

O interesse estratégico na tecnologia reside na capacidade futura de interceptar veículos de reentrada e mísseis hipersônicos, alvos que apresentam alta dificuldade de neutralização pelos sistemas antimísseis disponíveis atualmente.

Contexto Global e Corrida Tecnológica

O avanço europeu ocorre em um cenário de competição internacional intensa. O Japão, entre junho e julho de 2025, efetuou o disparo de um railgun instalado no navio JS Asuka contra um alvo marítimo, atingindo velocidades superiores a 7.400 km/h (Mach 6). Em novembro de 2025, o país comprovou a eficácia da energia cinética ao divulgar imagens de danos estruturais causados por esses projéteis em um navio alvo.

A China também registrou progressos significativos. Em dezembro de 2023, a Marinha chinesa testou um sistema capaz de disparar 120 projéteis consecutivos sem danos ao equipamento, utilizando inteligência artificial para monitorar 100 mil pontos de medição e detectar falhas instantaneamente. Os disparos alcançaram velocidades próximas a 2 km/s (Mach 6), com alcances situados entre 100 e 200 quilômetros.

Já os Estados Unidos, após investirem 500 milhões de dólares em protótipos da General Atomics e BAE Systems, encerraram seu programa em 2021 devido ao desgaste prematuro do canhão — que suportava apenas 24 disparos contra 600 da artilharia comum — e ao alcance limitado de 177 quilômetros. Contudo, em fevereiro de 2026, a Marinha americana retomou os testes no Campo de Mísseis de White Sands, no Novo México, motivada pelos progressos de China e Japão.

Trajetória da Pesquisa na Europa

A Europa possui um histórico de quase 40 anos no setor. O ISL desenvolve canhões eletromagnéticos desde 1987, com projetos como o protótipo RAFIRA e a instalação PEGASUS, de 10 megajoules.

Recentemente, a pesquisa foi coordenada por consórcios europeus:
* PILUM (2020-2023): Liderado pelo ISL com a participação de Bélgica, Alemanha, França, Itália e Polônia.
* THEMA: Sucessor do PILUM, com a meta de entregar um demonstrador tecnológico avançado até 2028.

Embora o teste em Baldersheim seja um marco qualitativo, os pesquisadores indicam que as próximas etapas envolverão o uso de energias mais elevadas e a ampliação das distâncias de voo livre.

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