Ciência

Irmãs brasileiras reconhecidas pelo Guinness como as mais velhas do mundo integram estudo genético

26 de Junho de 2026 às 06:18

Três irmãs residentes no Rio de Janeiro, com idades de 103, 104 e 109 anos, foram reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãos mais velhos do mundo. O caso integra o Projeto DNA Longevo da USP, que estuda genes protetores da resistência física e cognitiva em centenários

Irmãs brasileiras reconhecidas pelo Guinness como as mais velhas do mundo integram estudo genético
REUTERS/Tita Barros.

Três irmãs brasileiras residentes no Rio de Janeiro, com idades de 103, 104 e 109 anos, tornaram-se o foco de investigações científicas sobre o envelhecimento após serem reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãos mais velhos do mundo ainda vivos. Com uma soma de 316 anos entre as três, Zulina de Deus Nunes, Zoraide de Deus Mota e Levita de Deus Nunes foram identificadas pela LongeviQuest, organização especializada na verificação de registros de longevidade.

O caso integra o Projeto DNA Longevo, coordenado por Mayana Zatz, do Centro de Pesquisa do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP). O estudo busca identificar genes protetores que permitam a certas pessoas manterem a resistência física e cognitiva em idades excepcionalmente avançadas. Para isso, a equipe compara centenários e nonagenários com indivíduos que apresentam fragilidade, doenças crônicas ou declínio cognitivo.

A hipótese central dos pesquisadores é que a hereditariedade exerça um papel superior às influências ambientais na preservação das funções orgânicas na terceira idade. O objetivo é compreender como a genética protege o sistema muscular, o coração e as capacidades cognitivas contra os danos do tempo. Para obter conclusões definitivas, o pesquisador João Paulo Guilherme indica que a meta do estudo é alcançar a análise de 500 centenários, priorizando famílias com múltiplos membros nessa faixa etária para aumentar a precisão da identificação genética.

Embora as irmãs atribuam a vida longa a hábitos como amamentação, alimentação saudável e atividades físicas — exemplificadas pela infância de Zulina, que nadava e pescava em rios em uma época sem refrigeração de alimentos —, a análise técnica aponta a força do componente genético. Ben Meyers, executivo da LongeviQuest, ressalta que, além da genética, a rede de apoio familiar e comunitária, dada a proximidade física entre as irmãs, também contribui para a manutenção da saúde.

As trajetórias das três mulheres foram marcadas por rotinas comuns: Levita atuou como artesã e trabalhou em uma emissora de televisão; Zoraide foi enfermeira e mãe de cinco filhos; já Zulina dedicou-se ao lar e criou seis filhos.

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