Ciência

James Webb identifica exoplaneta com formato alongado e atmosfera composta por hélio e carbono

27 de Maio de 2026 às 18:09

O telescópio James Webb identificou o exoplaneta PSR J2322−2650b, localizado a 750 anos-luz da Terra e em órbita de um pulsar. O corpo celeste possui formato alongado, completa a translação em 7,8 horas e apresenta atmosfera composta por hélio e carbono molecular

James Webb identifica exoplaneta com formato alongado e atmosfera composta por hélio e carbono
Foto: Divulgação/NASA

O telescópio espacial James Webb identificou o exoplaneta PSR J2322−2650b, um corpo celeste localizado a cerca de 750 anos-luz da Terra que apresenta características físicas e químicas sem precedentes na astronomia. O planeta orbita um pulsar, núcleo ultradenso de uma estrela que explodiu como supernova, que gira aproximadamente 300 vezes por segundo e emite feixes intensos de radiação.

A proximidade entre o planeta e o pulsar é extrema, totalizando cerca de 1,6 milhão de quilômetros — distância inferior a 1% do intervalo entre a Terra e o Sol. Devido a essa configuração, o PSR J2322−2650b completa sua órbita em apenas 7,8 horas e sofre a ação de forças gravitacionais violentas. Esse efeito de maré deformou a estrutura do planeta, que adquiriu um formato alongado, semelhante a um limão ou a uma bola de rugby, com o diâmetro equatorial cerca de 38% maior que o polar.

A análise espectroscópica revelou uma atmosfera composta predominantemente por hélio e carbono molecular, com a ausência incomum de água e metano. De acordo com estudo publicado no *The Astrophysical Journal Letters*, as proporções de carbono em relação ao oxigênio e ao nitrogênio são excepcionalmente altas, níveis que desafiam os modelos tradicionais de formação planetária. A NASA destacou que tal composição é difícil de explicar, evidenciando a presença de nuvens de fuligem e carbono em um ambiente superaquecido. Nessas condições, a pressão extrema em regiões profundas do planeta pode provocar a condensação de partículas de carbono, resultando na formação de diamantes.

O planeta possui rotação sincronizada, mantendo um lado permanentemente voltado para a estrela de nêutrons. As temperaturas são elevadas a ponto de o lado oposto ao pulsar ser quente o suficiente para derreter diversos metais terrestres. Outra anomalia detectada são os ventos atmosféricos, que sopram na direção contrária à rotação do planeta, divergindo do comportamento observado em gigantes gasosos convencionais.

A origem do PSR J2322−2650b permanece como um enigma para os pesquisadores, já que nenhum modelo atual consegue conciliar a deformação física, a órbita curta e a química atmosférica. Uma das hipóteses sugere que o objeto seja o núcleo modificado de uma estrela companheira consumida pelo pulsar em um sistema conhecido como "viúva negra".

A detecção foi viabilizada pela tecnologia do James Webb, que opera no infravermelho. Como o pulsar emite radiação de alta energia, principalmente raios gama, o telescópio conseguiu isolar a assinatura térmica e química do planeta sem interferências significativas da estrela. Para a comunidade científica, o sistema funciona como um laboratório de atmosferas exóticas e pode representar a inauguração de uma nova classe de atmosferas planetárias.

Notícias Relacionadas