Ciência

Japão testa geração de energia solar com células de perovskita em plantações de arroz

22 de Maio de 2026 às 06:20

O Japão iniciou um experimento de três anos na Universidade de Chiba para testar a geração de energia elétrica em arrozais com células solares de perovskita. A iniciativa, em parceria com a Sekisui Chemical e a Terra Inc., monitora a durabilidade do material e o impacto na produtividade agrícola. A eletricidade produzida alimentará as instalações do campus

Japão testa geração de energia solar com células de perovskita em plantações de arroz
Japão testa painéis solares de perovskita sobre arrozais na Universidade de Chiba. Projeto gera energia e cultiva arroz no mesmo terreno por três anos.

O Japão iniciou um experimento de três anos para testar a viabilidade da geração de energia elétrica em áreas de cultivo de arroz, utilizando a técnica de compartilhamento de energia solar. O projeto começou em 11 de maio, com o plantio de arroz no campus Kashiwanoha da Universidade de Chiba, na cidade de Kashiwa, onde células solares de perovskita foram instaladas sobre a plantação. A eletricidade produzida será utilizada para alimentar as próprias instalações do campus.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Universidade de Chiba, a fabricante de células de perovskita Sekisui Chemical e a Terra Inc., empresa de Sosa responsável pela gestão agrícola. Para servir de parâmetro técnico, painéis de silício tradicionais foram instalados em um terreno vizinho, permitindo que a equipe monitore a durabilidade das células, a potência gerada e a influência direta na qualidade e produtividade do arroz.

O diferencial do projeto reside no uso da perovskita, uma família de compostos cristalinos semicondutores desenvolvida no Japão. Diferente dos painéis de silício, que são pesados e rígidos, as células de perovskita são leves, finas e flexíveis, o que possibilita a cobertura dos arrozais sem danificar as plantas ou obstruir a operação de máquinas agrícolas. A produção desse material está ligada à província de Chiba, um dos maiores centros mundiais de extração de iodo, componente essencial para a fabricação dessas células.

A estratégia busca enfrentar a crise energética japonesa e as metas de neutralidade de carbono para 2050, ao mesmo tempo em que combate a retração das áreas de cultivo e o envelhecimento da população rural. Há a hipótese de que a sombra parcial projetada pelos painéis possa atuar como um escudo climático, protegendo o arroz do estresse térmico causado pelas ondas de calor intensas do verão japonês. Além disso, a venda da energia gerada poderia elevar a renda dos agricultores.

A avaliação do experimento está dividida em três eixos: a resistência das células de perovskita a condições climáticas reais (chuva, vento e umidade da irrigação); o impacto na colheita, analisando se a sombra afeta o tamanho, o sabor ou a quantidade dos grãos; e a comparação de eficiência e estrutura com o silício. Espera-se que a perovskita se mostre superior por exigir menos suportes estruturais e interferir menos no maquinário.

Embora a agrivoltaica — a integração de energia solar e agricultura — já seja testada em países como China, França e Alemanha, o projeto de Chiba é pioneiro ao combinar especificamente a tecnologia de perovskita com o cultivo de arroz em um estudo acadêmico de longo prazo. Caso a eficácia seja comprovada, o modelo poderá ser exportado para regiões onde a produção de arroz é vital para a segurança alimentar, como a Índia, a América Latina e o Sudeste Asiático.

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