Kolkata entra em grupo de cidades monitoradas pela NASA devido ao afundamento do solo e marés
Kolkata integra o grupo de cidades deltaicas monitoradas pela NASA devido à subsidência do solo e ao avanço do nível do mar. O rebaixamento do terreno, causado pela urbanização e extração de água, amplia riscos de enchentes e intrusão salina

Kolkata, capital de Bengala Ocidental, integra agora o grupo de cidades deltaicas sob monitoramento rigoroso devido a um processo de subsidência do solo combinado ao avanço relativo do nível do mar. Localizada em uma região moldada pelo delta do Ganges-Brahmaputra-Meghna e pelos sistemas fluviais do rio Hooghly, a metrópole enfrenta a perda gradual de altitude do terreno, o que intensifica a vulnerabilidade a enchentes, erosão e intrusão salina.
O fenômeno ocorre por meio de uma pressão contínua, onde a compactação natural do solo sedimentar é acelerada pela retirada intensa de água subterrânea e pelo peso da urbanização. Esse rebaixamento do terreno cria a elevação relativa do nível do mar: enquanto a terra afunda, a água avança sobre áreas urbanas, tornando o nível oceânico aparentemente mais elevado do que a subida isolada dos mares explicaria. De acordo com a NASA, a soma da subsidência causada por ações humanas com o avanço do mar configura um alerta máximo para cidades de delta, incluindo também Yangon, Bangkok, Ho Chi Minh City, Jakarta e New Orleans.
A gravidade desse cenário foi reforçada por uma pesquisa publicada na revista Nature em 2026, que indicou que a subsidência ameaça deltas globalmente, ampliando riscos de inundação e perda de terras em regiões densamente povoadas. Em Kolkata, esse processo não se manifesta como um evento súbito, mas como uma pressão acumulada sobre a infraestrutura. Redes subterrâneas, canais, sistemas de drenagem e ruas baixas sofrem desgastes graduais que culminam em falhas urbanas e alagamentos recorrentes.
Um dos impactos mais críticos é a intrusão salina, que ocorre quando a água salgada penetra em aquíferos, rios e áreas úmidas. Esse movimento compromete a qualidade da água disponível, prejudica a agricultura periurbana e coloca em risco o abastecimento da população.
Para evitar a subestimação dos riscos em bairros baixos, hospitais e rotas de transporte, a NASA enfatiza que as projeções de vulnerabilidade devem considerar simultaneamente a subida do mar e o afundamento da terra. Atualmente, o monitoramento por satélite via técnicas de radar permite mensurar deslocamentos verticais do solo em milímetros ou centímetros, facilitando a identificação de áreas críticas.
Esse padrão de instabilidade é observado em outros grandes centros erguidos sobre solos jovens e úmidos. Em abril de 2026, dados da missão NISAR, fruto de parceria entre a NASA e a agência espacial indiana, registraram subsidência extrema na Cidade do México, também vinculada à compactação de sedimentos e extração de água subterrânea.
A situação de Kolkata evidencia que a inclusão da subsidência no planejamento urbano é fundamental para redefinir prioridades de proteção costeira, gestão de aquíferos e adaptação climática, especialmente em metrópoles onde milhões de habitantes residem em áreas sujeitas a cheias.