Ciência

Laboratório dos Estados Unidos desenvolve tecnologia para gerar eletricidade em redes hídricas já existentes

23 de Maio de 2026 às 06:13

O Laboratório Nacional de Oak Ridge desenvolve a energia hidrelétrica em condutos para gerar eletricidade em redes hídricas existentes. A tecnologia pode adicionar 1,41 GW à rede elétrica dos Estados Unidos, abrangendo sistemas de irrigação, industriais e municipais. O programa CHEETA oferece suporte técnico para a implementação dessas unidades, que possuem custo inicial de cerca de US$ 100 mil

Laboratório dos Estados Unidos desenvolve tecnologia para gerar eletricidade em redes hídricas já existentes
Energia hidrelétrica do ORNL avalia tubulações, sistemas municipais e irrigação para gerar eletricidade sem novas barragens.

O Laboratório Nacional de Oak Ridge (ORNL), nos Estados Unidos, desenvolve pesquisas para a geração de eletricidade a partir de infraestruturas hídricas já existentes, como canais, tubulações e sistemas de abastecimento. A tecnologia, denominada energia hidrelétrica em condutos, consiste em capturar a pressão da água em redes hidráulicas em funcionamento para girar turbinas, eliminando a necessidade de construir grandes barragens ou criar reservatórios que alterem o curso de rios.

Liderado pelo engenheiro de recursos hídricos Scott DeNeale, no âmbito do Programa de Energia Hídrica do ORNL, o projeto foca em sistemas de irrigação, instalações industriais e redes municipais. A técnica aproveita a energia que normalmente seria dissipada em forma de calor ou vibração quando válvulas reduzem a pressão dos sistemas, transformando essa perda operacional em eletricidade. Para isso, são frequentemente utilizadas bombas-turbinas, equipamentos capazes de operar em sentido reverso para gerar energia.

Dados de um relatório de 2025 do ORNL indicam que os Estados Unidos possuíam 337 usinas desse tipo, com uma produção total de 836 MW. No entanto, o laboratório estima que o potencial disponível é significativamente maior, com a possibilidade de adicionar 1,41 GW à rede elétrica nacional — volume capaz de abastecer aproximadamente 1 milhão de residências. Essa estimativa distribui-se entre 662 MW em sistemas de irrigação agrícola, 378 MW em dutos industriais e 374 MW em redes municipais de água.

Para viabilizar a implementação dessa tecnologia, o ORNL criou o CHEETA (*Conduit Hydropower Engineering, Evaluation, and Technology Acceleration*), iniciativa apoiada pelo Escritório de Hidroenergia e Hidrocinética do Departamento de Energia dos Estados Unidos. O programa oferece assistência técnica, ferramentas de análise e definição de melhores práticas para que empresas, concessionárias e municípios identifiquem a viabilidade de instalação em seus sistemas.

As unidades de geração em condutos operam em escala reduzida: enquanto a maioria produz menos de 1 MW, as menores instalações geram cerca de 10 kW. O custo de desenvolvimento inicia-se em aproximadamente US$ 100 mil, variando conforme a configuração do projeto. A eficiência do sistema é potencializada por grandes vazões e diferenças de elevação, conhecidas como altura manométrica, sendo comum a instalação em locais onde já operam válvulas redutoras de pressão. Devido à operação quase contínua, o retorno financeiro pode ocorrer em menos de 10 anos, com casos específicos apresentando viabilidade entre três e cinco anos.

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