Laser detecta concentração elevada de lítio na atmosfera após reentrada de foguete da SpaceX
Pesquisadores utilizaram a tecnologia LiDAR para detectar detritos espaciais na atmosfera superior, identificando uma nuvem de lítio dez vezes superior ao normal após a reentrada de um foguete Falcon 9. O estudo, publicado na Advances in Space Research, monitora a vaporização de materiais como cobre e alumínio provenientes de satélites e foguetes
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F1d6%2F509%2F462%2F1d65094628d8f8ce6949012f06eed832.jpg)
A detecção de sinais químicos na atmosfera superior, realizada por meio de um raio laser disparado do solo, revelou a presença do que pesquisadores classificam como um "cemitério" de detritos espaciais. O estudo, publicado na revista *Advances in Space Research*, alerta para a expansão exponencial desse problema, que tende a se agravar no curto prazo.
A metodologia baseia-se no sistema LiDAR, que utiliza feixes de laser para mensurar partículas, movimentos e distâncias em tempo real. A aplicação dessa tecnologia ao monitoramento da reentrada de foguetes e satélites permite analisar a desintegração de resíduos ao atingirem as camadas altas da atmosfera terrestre.
Um evento crítico foi registrado entre 19 e 20 de fevereiro de 2025, quando cientistas identificaram uma nuvem de lítio com concentração dez vezes superior aos níveis habituais. A análise dos dados vinculou essa massa de ar à reentrada de uma etapa superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, ocorrida ao oeste da Irlanda.
Esse episódio evidencia como a atividade humana em órbita altera regiões pouco visíveis do planeta. Michael Gerding, do Instituto Leibniz de Física Atmosférica, destaca que o lítio é um elemento fundamental para investigar impactos antropogênicos na atmosfera média, dado o seu uso extensivo na indústria espacial.
O foco da preocupação científica reside na ablação, processo de vaporização de materiais de satélites e foguetes durante a reentrada. Em vez de desaparecerem, esses componentes são incorporados à termosfera inferior e à mesosfera, áreas essenciais para a compreensão da química atmosférica superior.
Para aprofundar as investigações, o instituto alemão desenvolveu um sistema LiDAR multicanal capaz de rastrear diversas substâncias ligadas ao lixo espacial, como fluoreto de hidrogênio, óxido de alumínio e cobre — elementos que naturalmente ocorrem em quantidades reduzidas nessas altitudes. Robin Wing, pesquisador da instituição, informa que o equipamento passa por aprimoramentos em seus subsistemas, com a meta prioritária de monitorar sistematicamente o cobre proveniente de componentes espaciais.
O cenário torna-se mais crítico devido ao crescimento das megaconstelações de satélites e ao volume de lançamentos. Leonard Schulz, da Universidade Técnica de Braunschweig, liderou o estudo que adverte sobre a introdução de quantidades significativas de matéria na atmosfera, o que pode acarretar efeitos ainda desconhecidos sobre o habitat humano e a camada de ozônio.