Ciência

Lixo espacial representa quase metade dos objetos monitorados em órbita terrestre, aponta relatório da Accu

16 de Maio de 2026 às 06:14

Relatório da empresa Accu indica que 47% dos 33.269 objetos monitorados em órbita terrestre são lixo espacial, totalizando 12.550 fragmentos. A massa desses detritos é estimada em 15.550 toneladas, com maior concentração de fragmentos provenientes da China, Estados Unidos e CEI

Lixo espacial representa quase metade dos objetos monitorados em órbita terrestre, aponta relatório da Accu

Cerca de 47% dos 33.269 objetos monitorados em órbita terrestre são classificados como lixo espacial, conforme relatório da empresa de engenharia britânica Accu. O levantamento, baseado em dados do Space-Track (vigilância espacial dos Estados Unidos) e repercutido pela revista Popular Science em maio de 2026, identifica 12.550 fragmentos de detritos sem função operacional circulando ao redor do planeta.

O volume total de materiais monitorados inclui ainda 17.682 cargas úteis, como satélites, 2.396 corpos de foguetes e 641 itens sem classificação. A análise da Accu indica que a proporção de materiais sem uso é crescente, evidenciada pelo fato de existirem sete fragmentos de detritos para cada dez satélites em órbita.

A massa desse lixo espacial é estimada pela Accu em 15.550 toneladas. Já a Agência Espacial Europeia (ESA) aponta que a massa total de objetos artificiais em órbita supera 16.200 toneladas. A variação nos números ocorre porque a Accu focou em detritos rastreados, enquanto a ESA considerou um conjunto mais amplo de estruturas artificiais.

O risco desses materiais não está relacionado apenas ao tamanho, mas à velocidade. Em órbita baixa, fragmentos podem atingir 28 mil quilômetros por hora, gerando energia suficiente para danificar estações espaciais e instrumentos científicos. Um exemplo ocorreu em 2016, quando um fragmento pequeno causou um impacto de aproximadamente 6 milímetros em uma janela da cúpula de observação da Estação Espacial Internacional.

A ESA registra que, desde 1957, dezenas de milhares de objetos foram enviados ao espaço, resultando em mais de 660 eventos de fragmentação, como explosões e colisões. A distribuição desses detritos é concentrada: a China detém 34% dos fragmentos monitorados, seguida pelos Estados Unidos e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), com 31% cada.

No caso chinês, o relatório associa a alta incidência ao teste antissatélite de 2007. Para os Estados Unidos, destacam-se décadas de lançamentos e a colisão de 2009 entre o satélite Iridium 33 e o russo Kosmos 2251. Já a CEI acumula resíduos desde a era soviética e operações de países sucessores.

Embora parte dos objetos reentre na atmosfera e se desintegre, o processo pode levar décadas. A Accu alerta que a vaporização de materiais como lítio, cobre e alumínio libera partículas finas na alta atmosfera, cujas interações químicas e possíveis impactos na camada de ozônio estão sendo estudadas por meio de sistemas de sensoriamento remoto por laser (LiDAR).

Para mitigar o problema, a ESA planeja a missão ClearSpace-1 para 2029. Com liderança da OHB SE e participação da empresa suíça ClearSpace, a operação utilizará quatro braços robóticos para capturar o satélite Proba-1, de 95 quilos, e conduzi-lo a uma reentrada segura. Outras tecnologias, como velas de arrasto e sistemas de captura, também são analisadas, embora ainda não exista operação em larga escala para a remoção do volume acumulado.

O gerenciamento do cenário orbital exige a combinação de remoção ativa, planejamento de reentrada ao fim da vida útil dos equipamentos e a adoção de normas internacionais. A persistência desses detritos compromete serviços essenciais que dependem de satélites, como navegação, previsão do tempo, agricultura e monitoramento ambiental.

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