Luz artificial em áreas urbanas prolonga a atividade do mosquito Culex pipiens no outono
A iluminação artificial urbana retarda a diapausa do mosquito Culex pipiens, mantendo sua atividade biológica além do verão. Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio constataram que a luz externa inibe o repouso sazonal mais do que o calor das cidades. O fenômeno prolonga a busca por sangue e a produção de ovos durante o outono
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A iluminação artificial noturna em áreas urbanas está alterando o ciclo biológico do mosquito *Culex pipiens*, prolongando sua atividade para além do período habitual de verão. Um estudo publicado no Journal of Applied Ecology indica que luzes de garagens, varandas e quintais confundem os insetos, que passam a interpretar a luminosidade como um sinal de que a estação quente permanece, retardando a entrada em diapausa — a fase de repouso invernal desencadeada naturalmente pela redução da luz e queda das temperaturas no outono.
Para analisar esse fenômeno, pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio instalaram recipientes com larvas em escolas, igrejas e jardins residenciais. O experimento utilizou armadilhas duplas em cada local: uma posicionada sob iluminação externa comum e outra em ambiente escuro. Durante o crescimento dos insetos, a equipe monitorou a temperatura e os níveis de luz a cada 30 minutos.
A análise laboratorial posterior revelou que, enquanto todos os mosquitos expostos à escuridão entraram em repouso em outubro, acompanhando o declínio térmico, aqueles sob luz artificial mantiveram comportamentos típicos do verão. Esses exemplares continuaram buscando alimentação sanguínea, desenvolveram folículos ováricos maiores e produziram ovos com capacidade de eclosão.
O estudo comparou a influência da luz com a "ilha de calor urbana", fenômeno que eleva a temperatura das cidades em relação às zonas rurais. Os dados demonstram que a iluminação artificial exerce um impacto superior ao aquecimento urbano na inibição do repouso sazonal. Mesmo luzes brancas quentes e de baixa intensidade, geralmente vistas como menos prejudiciais à fauna, mostraram-se inibidores mais potentes do início da diapausa do que o calor das cidades.
Essa alteração comportamental amplia o risco de picadas em centros urbanos durante o outono, contribuindo para a persistência de doenças transmitidas por mosquitos, como o vírus do Nilo Ocidental, em períodos nos quais a população desses insetos deveria estar reduzida.