Manguezais removem anualmente 960 mil toneladas de nitrogênio em serviço avaliado em US$ 8,7 bilhões
Manguezais tropicais e subtropicais removem 960 mil toneladas de nitrogênio de sistemas hídricos anualmente, serviço avaliado em US$ 8,7 bilhões. O estudo da Universidade Chinesa de Hong Kong indica que a capacidade potencial de absorção pode chegar a 5,5 milhões de toneladas, totalizando US$ 57 bilhões

Manguezais em regiões tropicais e subtropicais removem anualmente 960 mil toneladas de nitrogênio de sistemas hídricos, um serviço ecossistêmico avaliado em US$ 8,7 bilhões por ano. Os dados, publicados em 29 de abril na revista Earth’s Future, revelam que esse processo ocorre por meio de microrganismos presentes nos sedimentos das florestas costeiras, que transformam o nutriente em gases que deixam o ecossistema.
A pesquisa, conduzida por Benoit Thibodeau e Ziyan Wang, da Universidade Chinesa de Hong Kong, baseou-se na análise de 51 estudos anteriores e medições próprias. Ao considerar a área global de manguezais, estimada em 135.869 quilômetros quadrados (52.459 milhas quadradas), os autores diferenciaram a remoção real da potencial. Em condições ideais de salinidade, temperatura e disponibilidade do nutriente, a capacidade de absorção poderia ultrapassar 5,5 milhões de toneladas anuais, elevando o valor econômico do serviço para US$ 57 bilhões.
A eficácia dos manguezais reside na baixa oxigenação de seus sedimentos, o que favorece a atividade microbiana. O processo ocorre por duas vias: a desnitrificação, que converte nitrato em óxido nitroso (um gás de efeito estufa) e nitrogênio gasoso; e a oxidação anaeróbica de amônio, conhecida como anammox, que transforma nitrito e amônio em nitrogênio gasoso. Esta última forma, não reativa, compõe 78% da atmosfera e pode permanecer nela por milênios.
A remoção de nitrogênio é crucial para mitigar a poluição hídrica causada por atividades humanas, como a agricultura. Entre 2002 e 2010, o escoamento desse nutriente para ecossistemas de água doce atingiu 35,9 milhões de toneladas por ano. O excesso de nitrogênio estimula a proliferação de algas, reduzindo o oxigênio disponível para outras espécies e podendo liberar toxinas na água.
Para calcular o valor financeiro da atividade, os pesquisadores utilizaram a lógica de créditos de mercado, similar aos créditos de carbono. A base de cálculo foi o custo pago por municípios nos Estados Unidos e na Austrália para a remoção de nitrogênio de seus sistemas hídricos, resultando em um valor de pouco mais de US$ 10 mil por tonelada métrica.
Em termos comparativos, a massa de nitrogênio removida atualmente equivale a 650 sequoias-gigantes, enquanto o cenário potencial alcançaria o peso de mais de 4 mil dessas árvores. Embora a remoção de nitrogênio também ocorra em pradarias marinhas e outros ambientes costeiros, o estudo destaca que a ciência ainda está em fases iniciais para compreender plenamente os motores desse processo nos manguezais. A descoberta soma-se às funções já conhecidas desses ecossistemas, como a proteção contra erosão, a defesa costeira contra tempestades e a atuação como sumidouros de carbono.