Ciência

Marte está se acelerando: descoberta revela estrutura oculta sob região vulcânica

27 de Março de 2026 às 11:11

Equipe de cientistas liderada pelo professor Bart Root identificou uma estrutura oculta sob a região vulcânica de Tharsis em Marte. Os dados da missão InSight revelaram que o planeta está girando cada vez mais rápido, com aceleração mínima mas mensurável. Isso pode estar relacionado à existência de um material leve no equador marciano, causando ajustes internos e explicando a aceleração planetária

Marte está se acelerando: descoberta revela estrutura oculta sob região vulcânica
NASA/JPL/USGS

Marte: um planeta em movimento constante. Uma equipe de cientistas liderada pelo professor Bart Root da Universidade Tecnológica de Delft está revolucionando a nossa compreensão sobre o interior e rotação desse mundo vermelho.

Os dados coletados pela missão InSight da NASA revelam que Marte está girando cada vez mais rápido. A aceleração é mínima, mas mensurável, e há muito tempo não havia uma explicação convincente para esse fenômeno. Os modelos desenvolvidos pelos cientistas apontam para a existência de uma grande estrutura oculta sob a região vulcânica de Tharsis.

Essa área é caracterizada por gigantes vulcânicos e montanhas, que distinguem Marte da Terra. Enquanto o nosso planeta apresenta tectônica de placas ativa comparável à terrestre, Marte não possui essa atividade geológica tão intensa. Isso resultou na formação de Tharsis, uma vasta região repleta de vulcões e montanhas.

Com os dados sísmicos e geofísicos obtidos pela InSight, a equipe estimou melhor a espessura da crosta marciana e testou diferentes simulações para entender por que essa região terminou dominando uma parte tão ampla do planeta. O cenário que melhor se encaixa nas observações inclui uma anomalia de massa negativa, ou seja, uma área menos densa do que as rochas que a cercam.

Esses cientistas sugerem que o interior de Marte pode ser mais dinâmico do que se imaginava. A estrutura profunda sob Tharsis está relacionada ao encurtamento gradual do dia marciano, detectado nas medições das sondas Viking e InSight. Ao comparar as duas séries de dados, os autores constataram que a duração do dia em Marte diminui cerca de 70 microsegundos por ano.

A hipótese é que o material leve sobra no equador de Marte está causando ajustes internos e explicaria a aceleração planetária. Isso obriga os cientistas a revisar como os pequenos mundos rochosos se resfriam e evoluem, pois Marte pode conservar calor geológico por muito mais tempo do que previsto.

A descoberta abre novas perspectivas sobre o interior de Marte e suas implicações para entender melhor a formação e evolução dos planetas rochosos. A pesquisa é um passo importante em direção à compreensão da complexidade desse mundo vermelho, que continua surpreendendo os cientistas com seus mistérios ainda não resolvidos.

Com informações de El Confidencial

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