Ciência

Micróbios colonizam lava de vulcão na Islândia quase imediatamente após o resfriamento do material

30 de Abril de 2026 às 12:09

Pesquisadores da Universidade do Arizona identificaram a colonização de microrganismos na lava do vulcão Fagradalsfjall, na Islândia, entre 2021 e 2023. O estudo, publicado na Communications Biology, revelou que aerossóis e solo foram as fontes iniciais de vida, substituídas pela água da chuva após o primeiro inverno. A análise monitorou a sucessão primária em rochas vulcânicas para auxiliar a busca por vida em Marte

Micróbios começaram a colonizar a lava do vulcão Fagradalsfjall, no sudoeste da Islândia, quase imediatamente após o resfriamento do material. O fenômeno, observado em erupções ocorridas entre 2021 e 2023, foi analisado por pesquisadores da Universidade do Arizona para compreender a sucessão primária, processo no qual a vida ocupa ambientes anteriormente estéreis.

Como a lava é expelida a temperaturas superiores a 2.000 graus Fahrenheit, as novas superfícies surgem sem qualquer comunidade biológica. Esse cenário permitiu que ecologistas e cientistas planetários utilizassem a região como um laboratório natural para monitorar a chegada dos primeiros organismos em rochas vulcânicas, que se caracterizam por ser ambientes hostis, com baixa retenção de água e escassez de nutrientes.

Para identificar a origem desses microrganismos, a equipe coletou amostras de aerossóis, água da chuva, solo adjacente, rochas próximas e da própria lava, algumas vezes poucas horas após o resfriamento. A análise foi feita por meio da extração de DNA e do uso de aprendizado de máquina e métodos estatísticos, que permitiram rastrear como diferentes fontes contribuíram para a formação das comunidades microbianas.

Os resultados indicaram que a diversidade de organismos unicelulares cresceu durante o primeiro ano após as erupções. No entanto, houve uma queda acentuada nessa diversidade após o primeiro inverno, evidenciando que apenas micróbios resistentes ao frio e às condições extremas do local conseguiram sobreviver. Nos invernos subsequentes, a comunidade biológica apresentou um padrão de estabilidade maior.

Um ponto central da descoberta foi a mudança na fonte de colonização. Inicialmente, os micróbios chegavam à lava principalmente via aerossóis e solo transportado pelo vento. Após o primeiro inverno, a água da chuva tornou-se a principal via de chegada de novos organismos, padrão que se repetiu de forma consistente nas três erupções monitoradas. O fato de a água da chuva carregar micróbios atmosféricos sugere que esses organismos podem influenciar processos nas nuvens e atuar na semeadura de novos terrenos.

A pesquisa, publicada na revista Communications Biology, destaca a raridade de observar três eventos vulcânicos no mesmo local, o que proporcionou uma validação rigorosa dos dados. Além do impacto ecológico terrestre, o estudo oferece subsídios para a exploração de Marte, já que a superfície do planeta vermelho possui rochas vulcânicas semelhantes às da Terra, auxiliando a ciência a determinar onde e como buscar sinais de vida extraterrestre em ambientes de origem vulcânica.

Notícias Relacionadas