Ciência

Microrganismos subterrâneos aceleram a transformação de dióxido de carbono em rocha em poucas semanas

31 de Maio de 2026 às 09:06

Pesquisadores da South Dakota Mines e do SURF identificaram microrganismos que aceleram a conversão de dióxido de carbono em carbonato de cálcio. A tecnologia prevê o uso de enzimas em sistemas de purificação para transformar gases em minerais industriais. A empresa Carb-N0 planeja validar o sistema e iniciar a produção de enzimas em 2027

Microrganismos subterrâneos aceleram a transformação de dióxido de carbono em rocha em poucas semanas
SURF/Stephen Kenny

Pesquisadores da South Dakota Mines e do Sanford Underground Research Facility (SURF) identificaram microrganismos subterrâneos capazes de acelerar a transformação de dióxido de carbono em rocha. A descoberta ocorreu em Lead, na Dakota do Sul, em um antigo minério de ouro convertido em laboratório, onde a equipe liderada pela Dra. Tanvi Govil localizou esses organismos em um ambiente de escuridão, rochas e água quente.

O diferencial biológico desses microrganismos é a capacidade de favorecer a conversão do CO₂ em carbonato de cálcio. Enquanto o armazenamento convencional de gás no subsolo demanda longos períodos, as reações bioquímicas observadas nos testes podem reduzir esse processo de anos para apenas algumas semanas. A origem desses organismos em condições extremas é fundamental, pois permite que a tecnologia suporte as altas temperaturas, a pressão e a acidez típicas das emissões de usinas e fábricas.

A aplicação prática do estudo, inicialmente financiado pela National Science Foundation, prevê a utilização de enzimas derivadas desses microrganismos em sistemas de purificação. O modelo consiste em fazer com que os gases atravessem uma solução enzimática em reservatórios, transformando o carbono em um subproduto mineral que pode ser reaproveitado industrialmente, como aditivo para concreto.

Para viabilizar a escala comercial, a equipe de Govil desenvolveu uma biblioteca de microrganismos de diversas regiões globais. O objetivo é projetar enzimas robustas que operem com emissões reais, utilizando amostras de resíduos de cinzas de carvão e gases de combustão de indústrias locais.

A etapa seguinte do projeto prevê a implementação de um sistema móvel de captura com capacidade de processar quase uma tonelada de CO₂ diariamente. Por meio da empresa Carb-N0, os pesquisadores pretendem validar o conceito com parceiros industriais e iniciar a produção de enzimas em 2027. A iniciativa insere-se em um mercado global de captura e armazenamento de carbono com projeção de crescimento de US$ 4,51 bilhões em 2025 para US$ 19,98 bilhões em 2034.

Com informações de El Confidencial

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