Missão Artemis 2 bate recorde de distância da Terra e observa o lado oculto da Lua
Quatro astronautas da missão Artemis 2 superaram a marca de 400 mil quilômetros de distância da Terra. A tripulação realizou um sobrevoo lunar nesta segunda-feira (6), documentando a bacia Orientale e formações brilhantes na superfície. A operação valida sistemas da nave Orion antes do pouso no Oceano Pacífico
Quatro astronautas da missão Artemis 2 estabeleceram o recorde de maior distância já alcançada por seres humanos em relação à Terra, superando a marca de 400 mil quilômetros anteriormente registrada pela Apollo 13 em 1970. Lançada no início de abril pelo Centro Espacial Kennedy, a operação marca o retorno de voos tripulados ao entorno lunar após um intervalo de mais de cinco décadas.
Nesta segunda-feira (6), a tripulação realizou um sobrevoo de aproximadamente sete horas ao redor do satélite, permitindo a observação direta de regiões nunca vistas por olhos humanos, como o lado oculto da Lua. Esta face permanece invisível da Terra devido ao fato de o satélite levar o mesmo tempo para girar em torno de si mesmo e para orbitar o planeta. Durante a manobra, os astronautas documentaram a bacia de impacto Orientale — uma estrutura de 950 quilômetros de extensão e uma das maiores do sistema solar —, além de cordilheiras, crateras e antigos fluxos de lava que registram bilhões de anos de história geológica.
Um dos achados mais intrigantes foram formações na superfície lunar com brilho intenso, que a tripulação descreveu como semelhantes a neve, contrastando com a tonalidade cinzenta e escura predominante. A NASA analisará se esse fenômeno visual decorre de propriedades de reflexão de luz, concentrações minerais específicas ou materiais ejetados por impactos geológicos recentes. O objetivo é cruzar os relatos humanos sobre profundidade e contraste com dados espectrais para identificar se tais composições já são catalogadas.
A experiência incluiu ainda a observação de um eclipse solar a partir da nave Orion. O bloqueio da luz solar permitiu a visualização nítida da coroa solar e de outros corpos celestes que costumam ficar ofuscados, como Marte, Saturno, Vênus e Mercúrio.
Diferente da Apollo 13, que atingiu seu recorde de distância durante um retorno de emergência, a Artemis 2 cumpriu a trajetória de forma planejada para validar a cápsula, o escudo térmico, os sistemas de comunicação e a navegação. O retorno da missão deve ocorrer nos próximos dias com um pouso no Oceano Pacífico.
A operação serve como etapa estratégica para a Artemis 3, que prevê o primeiro pouso de astronautas na superfície lunar desde 1972. O programa visa estabelecer uma presença humana sustentável no polo sul lunar, região onde se acredita haver depósitos de gelo de água em crateras sombreadas, fundamentais para a futura construção de uma base permanente.