Missão Artemis 2 gera mais dados sobre radiação espacial do que o programa Apollo
A tripulação da missão Artemis 2 foi submetida a raios cósmicos e partículas solares ao ultrapassar a magnetosfera terrestre. A Nasa monitorou a saúde física e mental dos astronautas com sensores, amostras biológicas e microchips de medula óssea. Os dados coletados em dez dias compõem a base para futuras explorações
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A missão Artemis 2 levou astronautas a uma distância superior a mil vezes a que separa a Terra da Estação Espacial Internacional (ISS), expondo a tripulação a riscos radiológicos severos decorrentes da microgravidade. Ao contrário do que ocorre na ISS, onde a magnetosfera terrestre oferece proteção parcial, a região lunar deixa os tripulantes vulneráveis a raios cósmicos e partículas solares. Steven Platts, cientista-chefe do Programa de Pesquisa Humana da Nasa, ressaltou que a observação do nível e do tipo de radiação fornecerá dados essenciais para a pesquisa.
Para monitorar esses efeitos, a Nasa instalou sensores na cápsula Orion e realizou a coleta de amostras biológicas de sangue e saliva antes, durante e após a jornada. O acompanhamento fisiológico foi complementado por dispositivos vestíveis que registraram os sinais vitais da equipe. Um dos destaques tecnológicos da missão foi o uso de microchips que simulam a medula óssea, tecido escolhido por sua alta sensibilidade à radiação.
Embora o câncer seja a consequência mais conhecida da exposição radiológica, a pesquisa alerta para a possibilidade de inflamações cerebrais, fator que pode elevar o risco de desenvolvimento da doença de Parkinson. Apesar de a missão ter durado cerca de 10 dias, o que atenua os impactos imediatos, o volume de informações coletadas é superior ao do programa Apollo, servindo de base para operações futuras mais longas e arriscadas.
A análise também abrange a saúde mental dos astronautas, focando no impacto do confinamento, do isolamento e da distância da Terra. Platts comparou a transição do ambiente da ISS para a cápsula Orion à mudança de uma mansão de seis quartos para uma caravana, apontando que esse cenário representa um dos principais desafios para a exploração de Marte e da Lua.