Ciência

Missão Artemis II atinge a maior distância já registrada por seres humanos em relação à Terra

07 de Abril de 2026 às 12:06

A missão Artemis II levou quatro astronautas à órbita lunar, atingindo a distância recorde de 406.700 quilômetros da Terra. A tripulação registrou imagens do lado oculto da Lua, observou um eclipse solar de 53 minutos e identificou seis impactos de meteoroides

A missão Artemis II concretizou o primeiro retorno da humanidade à órbita lunar desde a Apollo 17, em 1972, realizando um sobrevoo de sete horas que estabeleceu novos marcos na exploração espacial. Durante a operação, a tripulação composta por quatro astronautas atingiu a maior distância já registrada por seres humanos em relação à Terra, alcançando 406.700 quilômetros. O recorde ocorreu dois minutos após a nave Orion atingir seu ponto de maior aproximação da superfície lunar, a cerca de 6.545 quilômetros.

O trajeto incluiu a passagem por trás do satélite, resultando em um intervalo planejado de 40 minutos sem comunicação direta com a Terra. Nesse período de isolamento, os tripulantes observaram o desaparecimento e o posterior reaparecimento do planeta no horizonte lunar, fenômenos descritos como "pôr" e "nascer" da Terra. A manobra permitiu a captura de imagens do lado oculto da Lua, onde foram identificadas crateras de impacto, cristas, rachaduras e antigos fluxos de lava, além de variações de textura, brilho e cor que auxiliam na compreensão da composição do solo lunar.

Um dos eventos mais singulares da missão foi a observação de um eclipse solar total, com duração de aproximadamente 53 minutos, provocado pelo alinhamento preciso entre a nave, a Lua e o Sol. O fenômeno foi exclusivo dos astronautas, sem visibilidade a partir da Terra. A escuridão permitiu a visualização da coroa solar, a camada externa da atmosfera do Sol, em uma janela de observação mais longa do que as habituais em eclipses terrestres.

Durante esse eclipse, a tripulação relatou a ocorrência de seis flashes de luz, interpretados como impactos de meteoroides na superfície lunar em alta velocidade. O contraste gerado pela ausência de luz solar facilitou o registro desses eventos, que agora serão analisados por cientistas para a identificação de locais e horários exatos, cruzando os dados com observações de astrônomos amadores.

A jornada, que superou a marca de 248.655 milhas da Apollo 13 às 13h56 (horário do leste dos EUA), seguiu com interações públicas. Os astronautas participaram de transmissões ao vivo da NASA, respondendo a questionamentos de redes sociais e dialogando com o administrador da agência, Jared Isaacman, e com o presidente Donald J. Trump. Uma nova transmissão está agendada para terça-feira, 7 de abril, para que a equipe de ciências lunares detalhe as descobertas feitas durante o sobrevoo e o eclipse.

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