Missão Artemis II registra a primeira imagem completa da bacia lunar Orientale
A missão Artemis II capturou a primeira imagem completa da bacia Orientale, estrutura lunar de 965 km de diâmetro e 3,8 bilhões de anos. A formação possui três anéis concêntricos e não sofreu inundações de basalto vulcânico
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A missão Artemis II registrou a primeira imagem completa da bacia Orientale, uma formação circular localizada na extremidade ocidental da face visível da Lua. Devido à sua posição geográfica, a estrutura não pode ser observada integralmente a partir da Terra a olho nu, tornando a perspectiva obtida durante o voo da tripulação fundamental para a ciência planetária.
Conhecida também como Mare Orientale, a região caracteriza-se por uma depressão central cercada por três anéis concêntricos de rocha elevada, assemelhando-se a um alvo gigante. Com aproximadamente 965 km de diâmetro, a bacia é considerada a estrutura de múltiplos anéis mais bem preservada do satélite. A formação data de cerca de 3,8 bilhões de anos, período que coincide com a fase final do grande bombardeio tardio, época de intensos impactos nos planetas rochosos do sistema solar.
A preservação do relevo da bacia Orientale deve-se ao fato de a região não ter sido submetida a grandes inundações de basalto vulcânico, fenômeno comum em outras bacias lunares. Essa característica permite a análise detalhada do material fundido e das marcas do impacto original.
A compreensão da gênese dessa estrutura foi aprofundada em 2016, por meio de um estudo na revista Science que utilizou dados gravitacionais da missão GRAIL. A análise indicou que o impacto inicial criou um cráter vasto que colapsou rapidamente, gerando fraturas e deslizamentos na crosta lunar. Nesse processo, os dois anéis externos surgiram do rompimento e do levantamento de falhas no terreno ao redor do cráter. Já o anel interno foi formado quando o montículo central, instável após a colisão, deslocou o material para fora.
O registro visual da Artemis II consolida a bacia Orientale como um referencial para a comparação de outras formações semelhantes encontradas em Mercúrio, Marte e na lua Calisto, auxiliando na reconstrução da história geológica do sistema solar.