Missão chinesa Tianwen-2 coletará amostras do asteroide Kamo’oalewa para investigar sua origem lunar
A missão chinesa Tianwen-2, lançada em maio de 2025, coletará amostras do asteroide Kamo’oalewa em 2026 para determinar se o objeto originou-se da Lua ou do cinturão de asteroides. O material deve retornar à Terra em novembro de 2027. Posteriormente, a sonda estudará o objeto 311P/PanSTARRS

A missão espacial chinesa Tianwen-2, lançada em maio de 2025, busca solucionar o enigma sobre a origem do asteroide Kamo’oalewa, identificado oficialmente como (469219). O objeto apresenta uma dinâmica orbital incomum, comportando-se como um quase-satélite da Terra: embora não esteja preso gravitacionalmente ao planeta como a Lua, ele percorre uma trajetória ao redor do Sol muito similar à nossa, alternando entre estados de quase-satélite e órbitas em ferradura por períodos que podem durar milhões de anos.
A principal controvérsia científica reside no conflito entre a composição do asteroide e sua trajetória. Análises espectrais indicam que a superfície de Kamo’oalewa possui semelhanças com silicatos lunares, o que sustenta a hipótese de que ele seja um fragmento arrancado da Lua por um impacto antigo, possivelmente relacionado à cratera Giordano Bruno. No entanto, simulações estatísticas sugerem que objetos coorbitais com tais características tenham maior probabilidade de originarem-se no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter.
Para testar a viabilidade da origem lunar, pesquisadores simularam a ejeção de partículas da superfície da Lua em diversas velocidades e direções. O estudo revelou que a quantidade de fragmentos capazes de escapar do sistema Terra-Lua e estabilizar-se em uma órbita como a de Kamo’oalewa é pequena, exigindo condições físicas e dinâmicas extremamente específicas.
A resolução desse impasse depende da coleta de material físico. A sonda Tianwen-2 deve chegar à vizinhança do asteroide em 2026 para extrair ao menos 100 gramas de amostras. A cápsula com esse material tem retorno previsto para a Terra em novembro de 2027, permitindo que análises laboratoriais definam a idade e a composição do corpo celeste. Se o material for lunar, os modelos de impacto da Lua serão revisados; se for de origem asteroidal, a ciência precisará explicar por que a assinatura espectral do objeto mimetiza a da Lua.
Após a operação em Kamo’oalewa, a missão chinesa seguirá para estudar o objeto 311P/PanSTARRS, localizado na região do cinturão principal. Essa estratégia visa integrar dados de amostras e dinâmica orbital para compreender a evolução de pequenos corpos no Sistema Solar.