Modelo matemático indica que população global pode cair pela metade até 2064 em cenário crítico
Um modelo matemático da Queen Mary University de Londres indica que crises ambientais podem reduzir a população global à metade até 2064. A pesquisa, publicada na revista Chaos, Solitons & Fractals, simula a queda demográfica caso a capacidade de sustentação da Terra seja limitada a 2 bilhões de pessoas

Um novo modelo matemático, publicado na revista *Chaos, Solitons & Fractals*, indica que a população global poderá sofrer uma redução acelerada caso crises ambientais imponham limites severos à capacidade de sustentação da Terra. No cenário mais crítico simulado, a humanidade seria reduzida à metade por volta do ano 2064.
Desenvolvida por Alessio Zaccone e Kostya Trachenko, da Queen Mary University de Londres, a pesquisa utiliza a chamada equação de Trachenko-Zaccone. O método aplica à demografia uma estrutura proveniente da física de materiais desordenados, como sólidos amorfos e vidros, empregando um modelo de feedback de taxa para descrever mudanças no ritmo populacional por meio de um único parâmetro.
Diferente das abordagens clássicas, que interpretam o crescimento como logístico ou exponencial, esse novo quadro matemático alterna entre regimes distintos. A ferramenta foi capaz de reunir 12 mil anos de história humana, reproduzindo desde a fase neolítica até a era moderna, integrando a expansão explosiva do período industrial ao ritmo mais moderado observado a partir de 1970.
A análise também revisita a previsão de 1960, formulada por Heinz von Foerster e colaboradores, que sugeria que a população mundial atingiria o infinito por volta de 2026. Contudo, a queda nas taxas de fertilidade global afastou a concretização dessa trajetória.
Atualmente, a trajetória global permanece estável e não indica um colapso imediato. A queda populacional surge nas simulações apenas sob a imposição de rupturas sociais ou ambientais profundas. Em uma hipótese de pior caso, eventos como escassez de recursos, conflitos, pandemias ou colapso climático reduziriam a capacidade sustentável do planeta para 2 bilhões de pessoas, provocando um declínio demográfico abrupto em poucos anos.