Ciência

Modelo matemático indica que população global pode cair pela metade até 2064 em cenário crítico

26 de Maio de 2026 às 06:15

Um modelo matemático da Queen Mary University de Londres indica que crises ambientais podem reduzir a população global à metade até 2064. A pesquisa, publicada na revista Chaos, Solitons & Fractals, simula a queda demográfica caso a capacidade de sustentação da Terra seja limitada a 2 bilhões de pessoas

Modelo matemático indica que população global pode cair pela metade até 2064 em cenário crítico
Modelo matemático simula queda populacional até 2064 em cenário extremo de crise ambiental e limite de recursos.

Um novo modelo matemático, publicado na revista *Chaos, Solitons & Fractals*, indica que a população global poderá sofrer uma redução acelerada caso crises ambientais imponham limites severos à capacidade de sustentação da Terra. No cenário mais crítico simulado, a humanidade seria reduzida à metade por volta do ano 2064.

Desenvolvida por Alessio Zaccone e Kostya Trachenko, da Queen Mary University de Londres, a pesquisa utiliza a chamada equação de Trachenko-Zaccone. O método aplica à demografia uma estrutura proveniente da física de materiais desordenados, como sólidos amorfos e vidros, empregando um modelo de feedback de taxa para descrever mudanças no ritmo populacional por meio de um único parâmetro.

Diferente das abordagens clássicas, que interpretam o crescimento como logístico ou exponencial, esse novo quadro matemático alterna entre regimes distintos. A ferramenta foi capaz de reunir 12 mil anos de história humana, reproduzindo desde a fase neolítica até a era moderna, integrando a expansão explosiva do período industrial ao ritmo mais moderado observado a partir de 1970.

A análise também revisita a previsão de 1960, formulada por Heinz von Foerster e colaboradores, que sugeria que a população mundial atingiria o infinito por volta de 2026. Contudo, a queda nas taxas de fertilidade global afastou a concretização dessa trajetória.

Atualmente, a trajetória global permanece estável e não indica um colapso imediato. A queda populacional surge nas simulações apenas sob a imposição de rupturas sociais ou ambientais profundas. Em uma hipótese de pior caso, eventos como escassez de recursos, conflitos, pandemias ou colapso climático reduziriam a capacidade sustentável do planeta para 2 bilhões de pessoas, provocando um declínio demográfico abrupto em poucos anos.

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