Movimentação do corpo provoca deslocamento do cérebro e auxilia na eliminação de resíduos neuronais
Estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia com camundongos indica que a contração de músculos abdominais desloca o cérebro no crânio. O movimento favorece a circulação do líquido cefalorraquidiano, auxiliando na eliminação de resíduos neuronais
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Um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicado na revista Nature Neuroscience, revelou que a movimentação do corpo, como caminhar ou contrair o abdômen, provoca um deslocamento físico do cérebro dentro do crânio. Esse movimento sutil pode atuar como um mecanismo de "limpeza" cerebral, auxiliando na eliminação de resíduos resultantes da atividade neuronal.
O processo é impulsionado pela contração dos músculos abdominais. Mesmo tensões mínimas, necessárias para a locomoção, deslocam o sangue através do plexo venoso vertebral — uma rede de veias que conecta a medula espinhal à cavidade abdominal. Essa pressão é transmitida ao cérebro, gerando o leve deslocamento do órgão.
A pesquisa, conduzida com camundongos, utilizou imagens de alta definição para observar tecidos vivos por meio de aberturas no crânio dos animais. Os cientistas constataram que o cérebro mudava de posição sempre que os músculos abdominais eram ativados para o movimento. Para validar a causa, a equipe aplicou pressão controlada no abdômen de camundongos anestesiados; mesmo imóveis, os animais apresentaram o deslocamento cerebral, que cessava assim que a pressão era removida.
Através de simulações computacionais, os pesquisadores observaram que esse movimento favorece a circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR), fluido responsável por proteger o cérebro. O modelo matemático indica que o deslocamento do órgão empurra o LCR em direção ao espaço entre o cérebro e o crânio, criando um padrão de circulação distinto do ocorrido durante o sono.
Francesco Costanzo, responsável pela modelagem matemática, comparou a estrutura cerebral a uma esponja, onde o fluido se move através de um esqueleto macio, sugerindo que o movimento físico funcionaria como o ato de espremer a esponja para limpá-la. De acordo com o pesquisador Drew, embora esse deslocamento seja leve, ele pode ter um impacto significativo na saúde cerebral ao otimizar a redistribuição de substâncias de descarte.