Ciência

Múmia de 1.600 anos é encontrada com fragmento da obra Ilíada fixado ao abdômen no Egito

04 de Maio de 2026 às 06:08

Pesquisadores da Universidade de Barcelona encontraram em Oxirrinco uma múmia de 1.600 anos com um fragmento da obra Ilíada, de Homero, fixado ao abdômen. O papiro contém trechos do Livro II e foi localizado em tumbas que apresentavam outros itens de luxo

Pesquisadores da Universidade de Barcelona localizaram, em tumbas de calcário na antiga cidade de Oxirrinco (atual Al Bahnasa), ao sul do Cairo, uma múmia de aproximadamente 1.600 anos que apresenta um detalhe inédito: um fragmento de papiro com trechos da obra *Ilíada*, de Homero, fixado ao abdômen do corpo.

O achado diverge dos registros funerários habituais do período romano na região, que geralmente consistem em instruções de embalsamamento, fórmulas religiosas ou inscrições de proteção. A presença de um texto literário clássico da tradição grega em um contexto de sepultamento sugere a possibilidade de ser o primeiro registro de literatura utilizada em rituais funerários naquela localidade, indicando um uso simbólico sofisticado.

O fragmento preserva especificamente passagens do Livro II da obra, na seção conhecida como Catálogo de Navios. A posição do papiro no corpo indica que sua inclusão foi intencional e ritualística, embora a motivação exata ainda seja desconhecida. As hipóteses levantadas apontam que o texto poderia servir como uma marca de identificação do embalsamador ou possuir uma função simbólica de proteção.

A descoberta ocorreu em um conjunto de três tumbas que revelaram práticas funerárias complexas e de alto custo, sugerindo que os sepultados pertenciam a classes sociais elevadas. No mesmo local, foram encontradas múmias com línguas de cobre ou folha de ouro, cabeças de felinos envoltas em tecido e jarros contendo ossos de bebês e restos cremados de adultos.

Esse cenário evidencia a integração cultural no Egito sob domínio romano, onde a influência grega extrapolava a administração e a língua, penetrando em práticas sagradas e rituais de morte. A confirmação da função ritual do papiro indicaria que a literatura grega era reinterpretada dentro de crenças religiosas locais.

Devido à fragilidade e à fragmentação do material, a equipe de arqueólogos tem adotado cautela, limitando-se a exames visuais para evitar danos ao papiro. As análises futuras deverão definir se o fragmento teve um papel prático no processo de mumificação, se foi uma escolha pessoal ou se possuía um sentido ritual específico dentro do contexto cultural de Oxirrinco.

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