Nanopartículas plásticas são detectadas em solos de áreas interiores da Antártida
Estudo publicado na Nature Scientific Reports detectou nanopartículas plásticas nos Valles Secos de McMurdo, na Antártida. O polipropileno foi o material predominante em 54% das amostras de solo superficial, com concentrações de até 295 nanogramas por grama. A poluição é atribuída a fontes locais e ao transporte atmosférico
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F237%2Ff78%2Fc57%2F237f78c57096d845e95b285e7caa5c61.jpg)
Nanopartículas plásticas foram detectadas em solos da Antártida, evidenciando que a poluição por resíduos sintéticos atingiu áreas interiores do continente, distantes da costa. O estudo, publicado na Nature Scientific Reports, identificou a presença desses fragmentos nos Valles Secos de McMurdo, especificamente nos vales de Taylor e Wright, onde amostras foram coletadas em janeiro de 2023.
A pesquisa focou em partículas com diâmetro inferior a um micrómetro. Devido ao tamanho reduzido, essas nanopartículas possuem maior mobilidade, interagem com outros poluentes e conseguem atravessar barreiras biológicas com mais facilidade do que os microplásticos.
Para a análise, foram examinadas 13 amostras de solo superficial e quatro coletadas a mais de 20 centímetros de profundidade. A metodologia utilizou um protocolo recente de espectrometria de massas com reação de transferência de prótons e desorção térmica, técnica capaz de mensurar baixas concentrações em materiais complexos.
Os dados revelaram que 54% dos pontos de solo superficial apresentavam nanopartículas acima dos limites de detecção, com concentrações que atingiram 295 nanogramas por grama de solo. Metade das amostras profundas também continha resíduos, embora em volumes menores, indicando um processo de deslocamento vertical ou enterramento no terreno.
A composição dos resíduos envolveu seis tipos de plásticos: polietileno, polipropileno, tereftalato de polietileno, poliestireno, cloreto de polivinilo e partículas de desgaste de pneus. O polipropileno foi o material predominante, correspondendo a 41,9% da massa total, seguido por resíduos de pneus (29,6%) e polietileno (14,6%).
A chegada desses poluentes a regiões isoladas é atribuída a dois fatores principais, conforme modelos atmosféricos retrospectivos. Fontes locais, como o turismo e estações científicas — a exemplo de Marble Point, Base Scott e McMurdo, situadas entre 100 e 120 km dos locais de coleta —, teriam maior influência durante o verão antártico. Já no inverno, o transporte atmosférico de longa distância assume papel preponderante.
O estudo ressalta que as concentrações registradas podem estar subestimadas em razão de limitações na medição e coleta. Os resultados estabelecem um parâmetro para futuras avaliações ambientais e para a revisão da gestão de resíduos em ecossistemas sensíveis.