Ciência

NASA descobre objeto massivo que desafia a classificação entre planetas gigantes e anãs marrons

04 de Maio de 2026 às 18:13

A NASA identificou o 29 Cygni b, objeto com massa 15 vezes superior à de Júpiter localizado a 133 anos-luz da Terra. Análises do Telescópio James Webb e do conjunto CHARA indicam que o corpo se formou por acreção de materiais sólidos. O objeto orbita sua estrela a 2,4 bilhões de quilômetros

A NASA revelou a descoberta do 29 Cygni b, um objeto localizado a 133 anos-luz da Terra que desafia a classificação tradicional entre planetas gigantes e anãs marrons. Com uma massa aproximadamente 15 vezes superior à de Júpiter, o corpo celeste foi imageado diretamente pelo Telescópio Espacial James Webb por meio da câmera NIRCam em modo coronográfico, técnica que isola a luz da estrela hospedeira para permitir a análise de objetos menos brilhantes em seu entorno.

O ponto central da investigação reside na origem do 29 Cygni b. Enquanto estrelas surgem do colapso gravitacional de nuvens de gás, planetas se formam por acreção, acumulando poeira, rocha e gelo em discos protoplanetários. Embora sua massa o coloque na zona de transição para as anãs marrons — conhecidas como estrelas fracassadas —, as evidências indicam que ele nasceu como um planeta.

A análise química realizada pelo James Webb identificou a presença de elementos pesados, como carbono e oxigênio, em sua atmosfera. A quantidade desses "metais" é elevada em comparação à estrela hospedeira, que possui composição similar à do Sol. Estima-se que o volume de elementos pesados no 29 Cygni b equivalha a cerca de 150 Terras, sugerindo que o objeto absorveu grandes quantidades de sólidos durante sua formação.

Complementando os dados químicos, a equipe de pesquisa utilizou o conjunto de telescópios terrestres CHARA para analisar a dinâmica orbital. Foi confirmado que a órbita do planeta está alinhada com a rotação da estrela, reforçando a tese de que ele se originou dentro de um disco protoplanetário. Para William Balmer, autor principal do estudo, a convergência entre a composição química e o alinhamento orbital indica que o objeto resultou de uma acreção rápida de material rico em metais, e não da fragmentação de gás.

O 29 Cygni b orbita sua estrela a uma distância média de 2,4 bilhões de quilômetros, posição comparável à de Urano no Sistema Solar. Essa localização torna a formação por acreção ainda mais complexa de explicar para corpos tão massivos, já que os discos de gás e poeira são temporários e o crescimento do planeta deve ocorrer antes que esse material se disperse.

O objeto integra um programa liderado por Balmer que observa quatro alvos jovens e quentes, com temperaturas entre 530 °C e 1.000 °C. Todos os corpos desse estudo possuem massas entre 1 e 15 vezes a de Júpiter e orbitam dentro de um raio de 15 bilhões de quilômetros de suas estrelas.

A descoberta desloca o critério de classificação astronômica da massa para o processo de nascimento. Ao demonstrar que a natureza pode criar planetas significativamente mais massivos via acreção do que os modelos previam, o caso do 29 Cygni b serve como um laboratório natural para testar os limites da formação planetária e evidencia a diversidade de sistemas na Via Láctea, que superam as previsões baseadas apenas no Sistema Solar.

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