Ciência

NASA desenvolve robôs submarinos para monitorar o derretimento de plataformas de gelo na Antártida

05 de Maio de 2026 às 18:08

Engenheiros da NASA desenvolveram o IceNode, sistema de robôs submarinos autônomos que monitoram a base de plataformas de gelo na Antártida. Os dispositivos medem temperatura, salinidade, correntes e troca de calor por até um ano. O projeto coleta dados em áreas inacessíveis a satélites para aprimorar modelos climáticos

Engenheiros do Jet Propulsion Laboratory, da NASA, desenvolveram o IceNode, um sistema de robôs submarinos autônomos projetados para monitorar a interface entre o oceano e a base das plataformas de gelo na Antártida. Apresentado em agosto de 2024, o projeto visa coletar dados em regiões inacessíveis a satélites, focando no ponto onde o derretimento do gelo ocorre de maneira mais intensa e silenciosa.

Cada unidade do IceNode possui 2,4 metros de comprimento e 25 centímetros de diâmetro. Diferente de submersíveis convencionais, esses dispositivos não utilizam propulsão constante; eles derivam pelas correntes oceânicas até atingirem o local alvo, onde se fixam na parte inferior das plataformas de gelo. Uma vez posicionados, operam como estações de monitoramento fixas por até um ano, o que reduz o consumo de energia e permite o registro de variações sazonais.

A tecnologia foi criada para preencher uma lacuna de informações, já que satélites conseguem observar apenas a superfície do gelo, como deslocamentos e afinamentos. O IceNode leva sensores diretamente ao ambiente onde a água do oceano corrói a base das estruturas. O sistema medirá a salinidade, a temperatura da água, a dinâmica das correntes e a taxa de troca de calor entre o oceano e o gelo.

Essas medições são fundamentais para compreender como correntes oceânicas aquecidas penetram sob as plataformas e as derretem. Embora as plataformas de gelo já flutuem e não elevem o nível do mar ao derreterem, elas funcionam como barreiras para as geleiras continentais. O enfraquecimento dessas bases pode acelerar o fluxo de gelo terrestre em direção ao oceano, resultando no aumento do nível do mar globalmente.

A coleta de dados diretos permitirá validar e aprimorar modelos climáticos, substituindo estimativas indiretas por informações reais e reduzindo margens de erro nas previsões para as próximas décadas. O desenvolvimento reflete a aplicação de robótica avançada em ambientes extremos, enfrentando condições de alta pressão, baixas temperaturas e ausência de comunicação constante.

Apesar do avanço, a missão apresenta desafios técnicos. A navegação sob o gelo é complexa, a comunicação com os robôs é limitada e há o risco de que correntes desloquem os dispositivos para áreas imprevistas ou que sedimentos e gelo obstruam os sensores.

A iniciativa coloca a Antártida no centro da pesquisa climática, dado que a região regula o fluxo de gelo continental e influencia as correntes oceânicas globais, impactando padrões meteorológicos e o clima em escala mundial.

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