Ciência

NASA detecta redução acelerada no volume de água da bacia do rio Eufrates

21 de Maio de 2026 às 12:22

A missão GRACE da NASA detectou a perda de 144 quilômetros cúbicos de água na bacia do rio Eufrates entre 2003 e 2009. O declínio hídrico ocorreu em territórios da Turquia, Síria, Iraque e Irã, sendo 60% do volume reduzido devido ao bombeamento de aquíferos

NASA detecta redução acelerada no volume de água da bacia do rio Eufrates
Observatorio de la Tierra de la NASA

A missão Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE), da NASA, detectou uma redução acelerada no volume de água da bacia do rio Eufrates. Por meio da medição de variações na gravidade terrestre, a agência espacial estimou que, entre 2003 e 2009, houve a perda de 117 milhões de acre-pé de água doce, o que corresponde a aproximadamente 144 quilômetros cúbicos — volume comparável ao do Mar Morto. O monitoramento abrangeu as bacias dos rios Tigre e Eufrates, englobando territórios da Turquia, Síria, Iraque e Irã.

A análise dos dados indica que 60% desse declínio hídrico decorre do bombeamento de aquíferos naturais, evidenciando a pressão humana sobre o sistema. Esse cenário é agravado por fatores climáticos e de gestão, como a sobre-exploração de reservas subterrâneas e a má administração dos recursos. No último século, a Síria registrou um aumento de 1°C na temperatura e uma redução nas precipitações de cerca de 18 milímetros por mês.

O rio Eufrates, que nasce na Turquia e atravessa a Síria e o Iraque até desaguar no Golfo Pérsico, é fundamental para a sobrevivência de milhões de pessoas, além de ter sido pilar para o comércio e a agricultura de civilizações antigas na Mesopotâmia.

Embora o ressecamento do rio seja mencionado no capítulo 16 do livro do Apocalipse como um evento precursor do fim dos tempos, a comunidade científica e acadêmica descarta interpretações proféticas. O professor L. Michael White, da Universidade do Texas em Austin, pontua que a literatura apocalíptica utilizava símbolos familiares aos leitores da época para refletir temores políticos e militares, sendo um gênero destinado a iniciados no contexto histórico do texto. Portanto, a perda de água no Eufrates é tratada como uma crise ambiental e social concreta, e não como um sinal místico.

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