NASA identifica exoplaneta semelhante a Júpiter a quase 40 mil anos-luz da Terra
A NASA identificou o exoplaneta Gaia23bra b, um super-Júpiter com massa 1,6 vezes maior que a do gigante gasoso do Sistema Solar. Localizado a quase 40.000 anos-luz da Terra, o mundo orbita uma anã laranja e foi detectado via microlente gravitacional pelos telescópios TESS e Gaia
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A análise de dados da NASA revelou a existência do Gaia23bra b, um exoplaneta semelhante a Júpiter identificado por meio de microlente gravitacional, em vez do método de trânsito convencional. A descoberta, detalhada no *Astrophysical Journal Letters*, destaca a atuação do telescópio TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) em uma detecção atípica, capturando um mundo situado a quase 40.000 anos-luz da Terra, distância que supera amplamente o raio de busca habitual da missão, geralmente limitado a 150 anos-luz.
O processo de identificação começou em 2023, quando o telescópio Gaia, da Agência Espacial Europeia, registrou um aumento no brilho de uma estrela. Esse fenômeno ocorre quando uma estrela em primeiro plano se alinha a outra mais distante, funcionando como uma lente natural que curva a luz devido à distorção do espaço-tempo, conforme previsto pela relatividade geral. Ao cruzar essas informações, pesquisadores confirmaram que o TESS monitorava a mesma região do céu no momento do evento.
Embora o TESS tenha sido projetado para detectar planetas que passam à frente de suas estrelas e reduzem seu brilho, a densidade de suas observações temporais permitiu enxergar detalhes que os dados do Gaia não conseguiam distinguir. Essa cobertura mais rigorosa revelou distorções adicionais na curva de luz, confirmando a presença do planeta.
O Gaia23bra b é classificado como um super-Júpiter, com massa aproximadamente 1,6 vezes maior que a do gigante gasoso do Sistema Solar. Ele orbita uma anã laranja que possui cerca de 80% da massa solar, mantendo uma distância orbital comparável à de Júpiter em relação ao Sol. Essa configuração torna a detecção via trânsito extremamente difícil, justificando a importância do método de lente gravitacional.
A técnica de microlente, responsável por menos de 5% dos exoplanetas conhecidos, permite a localização de mundos que outros sistemas raramente detectam. Segundo Mallory Harris, autora principal do estudo e doutoranda da Universidade do Novo México, a metodologia possibilita encontrar planetas menores com órbitas mais extensas, inclusive em zonas habitáveis ou além delas. Diana Dragomir, professora da mesma instituição e coautora do trabalho, ressaltou que a capacidade do TESS de encontrar esse tipo de planeta não era esperada no lançamento da missão.