NASA opera a maior câmara de vácuo de simulação espacial do mundo em Ohio
O Glenn Research Center opera em Sandusky, Ohio, a maior câmara de vácuo de simulação espacial do mundo para validar hardware e naves. A estrutura de 22.653 metros cúbicos reproduz condições de órbita baixa da Terra por meio de vácuo, frio extremo e radiação. A instalação atende ao governo, universidades e empresas privadas

O Space Environments Complex, localizado em Sandusky, Ohio, abriga a maior câmara de vácuo de simulação espacial do mundo. Operada pelo Glenn Research Center dentro do Neil Armstrong Test Facility, a instalação — conhecida como Space Simulation Vacuum Chamber ou Space Power Facility (SPF) — é projetada para validar hardware, naves, módulos e sistemas de grandes dimensões antes do lançamento, reproduzindo condições críticas encontradas na órbita baixa da Terra.
A estrutura, construída em 1969, possui um volume interno de 22.653 metros cúbicos (800 mil pés cúbicos), com 30,48 metros de diâmetro e 37,19 metros de altura. Embora tenha sido concebida para suportar testes nucleares e não nucleares em missões além da órbita baixa, a NASA confirma que apenas ensaios não nucleares foram realizados no local. A câmara é feita de alumínio e envolta por paredes de concreto com espessura entre 1,83 metro e 2,44 metros, cuja pressão externa também é reduzida a 15 Torr durante as operações.
Para simular o ambiente espacial, a instalação combina alto vácuo, frio extremo, radiação solar e térmica, além da mitigação de vibrações externas. O processo de despressurização ocorre em etapas: a pressão cai de nível atmosférico para 20 Torr em duas horas; segue para 1×10⁻² Torr em três horas e atinge menos de 4×10⁻⁶ Torr em mais duas horas. Esse desempenho é viabilizado por turbobombas, criobombas, bombas mecânicas de pré-vácuo e placas resfriadas com nitrogênio líquido.
O controle térmico é gerenciado pelo *cryoshroud*, que opera entre –160°C e +80°C em dez zonas individuais. Dependendo do teste, esse componente assume uma configuração cilíndrica (12,19 metros de diâmetro e altura) ou retangular (12,80 metros de largura, 24,38 metros de comprimento e 6,71 metros de altura). A operação conta com um estoque local de 56 mil galões de nitrogênio líquido, com capacidade de expansão para mais 48 mil galões, além de 7 megawatts de potência para aquecimento via lâmpadas e painéis infravermelhos.
A infraestrutura logística inclui duas entradas de carga de 15,24 metros quadradas, uma porta para pessoal de 2,44 metros e um guindaste polar de vácuo com capacidade para 18,14 toneladas. O piso suporta cargas de até 272,16 toneladas. Para monitoramento, a câmara dispõe de mais de 1.500 sensores de temperatura, como RTDs e termopares, integrados a sistemas de aquisição de dados de alta e baixa velocidade.
O complexo é complementado pelo Assembly High Bay, área de montagem de 22,86 metros de largura por 45,72 metros de comprimento com guindaste de 22,68 toneladas, e pelo Vibroacoustic High Bay, voltado a testes acústicos e de vibração.
A instalação já foi utilizada em ensaios de escala real de carenagens de foguetes, velas solares, painéis e radiadores da Estação Espacial Internacional (ISS), além de componentes do sistema Orion, Dream Chaser e do Mars Pathfinder. O acesso ao complexo é aberto ao governo, universidades e empresas privadas sob regime de reembolso integral de custos.