Ciência

NASA planeja manobra técnica para prolongar a vida útil das sondas Voyager 1 e 2

12 de Maio de 2026 às 18:35

A NASA realizará a manobra "Big Bang" nas sondas Voyager 1 e 2 para economizar 10 watts de energia e prolongar a coleta de dados. A operação, que substitui dispositivos de aquecimento de combustível, terá testes iniciais na Voyager 2 entre maio e junho de 2026

NASA planeja manobra técnica para prolongar a vida útil das sondas Voyager 1 e 2
NASA planeja operação “Big Bang” para economizar energia e prolongar a missão das Sondas Voyager, que operam há quase 50 anos no espaço interestelar. Foto: NASA

A NASA planeja a execução de uma manobra técnica denominada “Big Bang” para prolongar a vida útil das sondas Voyager 1 e 2, que operam nas fronteiras do sistema solar. O objetivo da operação é reduzir o consumo energético para evitar o desligamento prematuro de instrumentos científicos, buscando garantir ao menos mais um ano de coleta de dados.

Lançadas em 1977 para estudar os planetas gigantes, as espaçonaves enfrentam agora a degradação inevitável de seus geradores nucleares. A perda de potência ocorre a uma taxa de quatro watts por ano. Atualmente, cada sonda produz cerca de 230 watts, uma queda drástica em relação aos 470 watts iniciais. O desafio é crítico, pois apenas o transmissor de sinais para a Terra consome aproximadamente 200 watts, deixando uma margem mínima para as demais funções.

Essa escassez energética já forçou a desativação de equipamentos. Na Voyager 1, o subsistema de observação de raios cósmicos foi encerrado em fevereiro de 2025, seguido pelo instrumento Low-Energy Charged Particles (LECP) em abril do mesmo ano. No momento, a Voyager 1 opera com dois instrumentos ativos, enquanto a Voyager 2 mantém três.

A estratégia “Big Bang” consiste em substituir três dispositivos que impedem o congelamento das linhas de combustível no espaço interestelar por sistemas alternativos. A mudança deve gerar uma economia de 10 watts, valor que a agência estima ser suficiente para adiar a perda de novos sensores científicos. Os testes serão iniciados na Voyager 2 entre maio e junho de 2026 e, se bem-sucedidos, serão replicados na Voyager 1.

A complexidade da manobra é ampliada pela distância das sondas. A Voyager 1 está a cerca de 169,8 unidades astronômicas da Terra, enquanto a Voyager 2 encontra-se a 143,1 unidades astronômicas. Devido a esse distanciamento, um comando enviado do planeta leva quase 24 horas para ser recebido pelas naves, impossibilitando correções rápidas em caso de falhas.

Além da energia, a missão enfrenta o desgaste de computadores de bordo obsoletos, telescópios degradados por radiação e o risco iminente de congelamento do combustível. Mesmo com a margem de operação limitada a cinco ou seis watts, há a expectativa de que as sondas atinjam o 50º aniversário da missão em 2027. Em um cenário otimista, as espaçonaves poderiam permanecer ativas até a década de 2030, possivelmente alcançando a marca de 200 unidades astronômicas de distância por volta de 2035.

A manutenção dessas sondas é vital para a ciência, pois elas são as únicas fontes de dados diretos do espaço interestelar. A Voyager 1 cruzou a heliopausa em 2012 e a Voyager 2 em 2018, superando a barreira da influência solar e acessando uma região do cosmos onde nenhuma outra nave humana chegou.

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