NASA planeja testar satélite para viabilizar postos de combustível em órbita terrestre
A NASA e a Eta Space lançarão o satélite LOXSAT após 17 de julho de 2026, via Rocket Lab, para testar o armazenamento e a transferência de oxigênio líquido no espaço. O projeto validará 11 componentes criogênicos em órbita terrestre baixa para viabilizar postos de combustível em missões à Lua e a Marte. Os dados coletados subsidiarão a missão Artemis 3, prevista para o final de 2027

A NASA planeja viabilizar a criação de postos de combustível em órbita para sustentar missões de longa duração à Lua e a Marte por meio do lançamento do satélite LOXSAT (Demonstração de Voo de Oxigênio Líquido). O projeto visa testar tecnologias criogênicas que permitam o armazenamento e a transferência de combustíveis super-resfriados no vácuo espacial, eliminando a necessidade de as naves decolarem da Terra com toda a carga de propelente necessária para a viagem completa.
O lançamento está programado para ocorrer após 17 de julho de 2026, a partir da base da Rocket Lab em Mahia, na Nova Zelândia, utilizando um foguete Electron. O satélite será posicionado em órbita através da plataforma Photon, tecnologia já empregada pela Rocket Lab na missão CAPSTONE em 2022. O desenvolvimento do LOXSAT é fruto de uma parceria entre a NASA — com a participação dos centros Glenn, Kennedy e Marshall — e a empresa Eta Space, sediada em Rockledge, Flórida.
Durante nove meses em órbita terrestre baixa, o satélite testará 11 componentes de gerenciamento de fluidos criogênicos. O foco está no controle de pressão em microgravidade, sistemas de armazenamento de oxigênio líquido sem perdas, acoplamento de conexões e a transferência de propelentes entre veículos, operação que ainda não foi demonstrada na prática. O principal desafio técnico reside em evitar o *boil-off*, processo de evaporação gradual de combustíveis como hidrogênio e oxigênio líquidos, que ocorre devido às temperaturas extremamente baixas exigidas no vácuo.
A implementação dessa rede de reabastecimento orbital reduz drasticamente o peso no lançamento, fator que encarece as missões espaciais. No caso de Marte, a tecnologia permitiria fracionar o envio de propelentes em múltiplos lançamentos menores e mais baratos, montando o estoque em órbita antes da decolagem da nave tripulada.
O projeto está integrado ao programa Artemis e impacta diretamente os módulos lunares Blue Moon, da Blue Origin, e Starship, da SpaceX, que utilizam propelentes criogênicos mas ainda não demonstraram capacidade de armazenamento prolongado no espaço. Os dados coletados pelo LOXSAT servirão de base para a missão Artemis 3, prevista para levar quatro astronautas à Lua no final de 2027.
Financiado pela iniciativa Tipping Point da NASA, o projeto reflete a estratégia da agência de atuar como cliente de serviços orbitais comerciais em vez de construtora primária de infraestrutura. Nesse cenário, empresas como a Eta Space operariam depósitos de combustível. A empresa já planeja o Cryo-Dock, um depósito autônomo e multiusuário de oxigênio e metano líquidos, com previsão de operação até 2030.