NASA reformulará sistema de propulsão da Orion após detectar perda de hélio na missão Artemis II
A NASA detectou a perda de hélio em válvulas da Airbus no módulo de serviço da Orion durante a missão Artemis II. A falha exigirá a reformulação do sistema de propulsão para a missão Artemis IV, em 2028. O incidente não comprometeu o retorno dos quatro astronautas à Terra
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A NASA identificou a perda de hélio no módulo de serviço da Orion durante a missão Artemis II, um defeito técnico que exigirá a reformulação da engenharia do sistema de propulsão para viabilizar pousos lunares futuros. O problema, localizado nas válvulas fabricadas pela Airbus, não comprometeu o retorno dos quatro astronautas à Terra, pois a cápsula de comando opera com tanques e propulsores independentes.
O hélio atua no sistema de pressurização do oxidante, funcionando como um mecanismo para empurrar o tetróxido de nitrogênio e a hidrazina — combustível tóxico — para as câmaras de combustão. A fuga de gás ocorreu internamente no sistema, e não para o espaço. Para conter a falha, o centro de controle isolou a seção defeituosa e ativou sistemas redundantes, colocando a nave em modo de purga. Nessa configuração, a pressão residual nos tanques é suficiente para expelir o combustível e o oxidante sem a necessidade de regulação adicional de hélio.
A anomalia gerou tensão momentânea a bordo quando um alarme falso indicou perda de pressão na cabine, levando a tripulação a cogitar o aborto da missão lunar. O astronauta canadense Jeremy Hansen relatou que a incerteza foi rapidamente dissipada após a equipe de controle em Houston determinar que não havia fuga na cabine.
Engenheiros da agência já tinham ciência de que as peças não possuíam fechamento hermético antes do lançamento em 1º de abril, com base em dados da missão não tripulada Artemis I, de 2022. No entanto, a taxa de vazamento aumentou significativamente durante a injeção translunar no segundo dia, quando o motor principal foi acionado para vencer a gravidade terrestre. Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, afirmou que, embora a taxa de fuga fosse aceitável para a missão atual, o cenário exigirá um redesenho completo do sistema de válvulas para a missão Artemis IV, programada para 2028.
Apesar do incidente, a Orion manteve alta eficiência operacional, consumindo apenas 40% do combustível após percorrer 80% da trajetória. A precisão do curso permitiu o cancelamento de diversas correções, e as manobras realizadas foram de baixo impacto, sem demandar a recarga do sistema avariado.
Para aprofundar a análise técnica, a NASA cancelou uma simulação de pilotagem manual na quarta-feira. O objetivo foi observar como o gás reagia a extremos térmicos, entre o calor solar e o frio do vácuo. A coleta de dados de telemetria segue até sexta-feira, às 18h33 (horário central), momento em que o módulo de serviço será desengatado para ser incinerado na atmosfera. A reentrada balística da cápsula no Oceano Pacífico será feita com seus próprios propulsores, eliminando riscos para a tripulação durante a descida.