Ciência

NASA utiliza "órgãos em chip" na missão Artemis II para monitorar reações biológicas no espaço

11 de Maio de 2026 às 18:24

A NASA integrou à missão Artemis II o experimento AVATAR, que utiliza chips com tecidos de medula óssea dos astronautas para monitorar reações biológicas ao espaço profundo. Desenvolvido com a Emulate e o Wyss Institute, o sistema analisa os efeitos da microgravidade e da radiação cósmica em órgãos humanos. A análise de dados sobre metabolismo e genética é processada por inteligência artificial

NASA utiliza "órgãos em chip" na missão Artemis II para monitorar reações biológicas no espaço
NASA envia órgãos em chip feitos com células de astronautas para estudar danos da radiação espacial antes de futuras missões a Marte.

A NASA implementou na missão Artemis II o experimento AVATAR (A Virtual Astronaut Tissue Analog Response), que utiliza a tecnologia de "órgãos em chip" para monitorar a reação do corpo humano ao espaço profundo. O objetivo central é investigar como a combinação de microgravidade e radiação cósmica afeta tecidos biológicos fora da proteção do campo magnético terrestre, mitigando riscos antes do envio de tripulações em missões prolongadas à Lua ou a Marte.

Desenvolvidos em parceria com a empresa Emulate e o Wyss Institute da Universidade Harvard, os dispositivos são chips do tamanho de pendrives que contêm tecidos humanos cultivados em laboratório. No caso da Artemis II, a pesquisa utiliza células de medula óssea dos próprios astronautas da missão, permitindo que os cientistas comparem as amostras enviadas ao espaço com tecidos equivalentes mantidos na Terra. Essa abordagem personalizada visa identificar variações individuais de resistência biológica, já que a resposta à radiação e à microgravidade não é uniforme entre as pessoas.

Essas estruturas microscópicas utilizam células vivas organizadas em microcanais que simulam a circulação, a troca de nutrientes e respostas fisiológicas reais. O sistema inclui tecidos que mimetizam as funções de vasos sanguíneos, fígado, cérebro, pulmões e coração. Ao transformar os chips em laboratórios biológicos, a agência consegue observar alterações moleculares e danos ao DNA que seriam invisíveis em missões curtas, mas que podem se tornar críticos em viagens de longa duração.

A preocupação reside no fato de que, além da órbita baixa da Terra, os astronautas ficam expostos a níveis elevados de partículas solares energéticas e radiação cósmica. Os pesquisadores buscam determinar se essa exposição causa danos acumulativos, como degeneração neurológica, riscos aumentados de câncer, alterações genéticas e comprometimentos cardiovasculares. Experiências anteriores na Estação Espacial Internacional já comprovaram que a ausência de gravidade provoca perda de massa muscular, redução da densidade óssea e mudanças na circulação sanguínea.

Para processar o volume massivo de dados sobre metabolismo, expressão genética e comportamento celular, a equipe utiliza sistemas de inteligência artificial. Esses algoritmos são essenciais para detectar padrões e sinais precoces de danos biológicos que seriam impossíveis de interpretar manualmente, permitindo a identificação de riscos antes que as alterações se tornem irreversíveis.

O projeto, detalhado em materiais oficiais da NASA e do Wyss Institute divulgados entre 8 e 9 de abril de 2026, desloca o foco da exploração espacial da engenharia aeroespacial para a biologia humana. O experimento AVATAR atua como uma etapa preventiva para mapear os limites do organismo e definir se a sobrevivência biológica é viável em jornadas interplanetárias, onde não há acesso a tratamentos médicos complexos.

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