Neil deGrasse Tyson defende o enterro para que a energia do corpo retorne ao ecossistema
O astrofísico Neil deGrasse Tyson defende o sepultamento para que a energia e a matéria do corpo retornem ao ecossistema terrestre. O cientista afirma que a cremação converte essas moléculas em calor e radiação infravermelha emitidas ao espaço. Na Espanha, a cremação superou o enterro em 2024, atingindo 50,11% do total
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F9f7%2Ff17%2F151%2F9f7f171515d0e591b12fb57044c77d9a.jpg)
A preferência pelo enterro em detrimento da cremação é defendida pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson com base na dinâmica da energia e da matéria. Em seu programa StarTalk, o cientista argumenta que o sepultamento permite que as moléculas e a energia acumuladas pelo corpo humano ao longo da vida — por meio da alimentação e do desenvolvimento de tecidos e órgãos — retornem ao ecossistema terrestre.
Nesse processo biológico, a decomposição do organismo possibilita que microrganismos, fauna e flora absorvam a energia contida no corpo, revertendo ao ambiente os nutrientes que o indivíduo consumiu durante a existência. A velocidade dessa transformação, contudo, pode ser alterada caso sejam utilizadas técnicas como o embalsamamento.
Já a cremação é analisada por Tyson sob uma perspectiva cósmica. Para ele, a energia das moléculas não é aniquilada, mas convertida em calor e emitida como radiação infravermelha, deslocando-se pelo espaço à velocidade da luz. Essa característica permite traçar uma cronologia do alcance dessa energia radiante; por exemplo, alguém cremado há quatro anos teria sua energia atingido o sistema estelar Alfa Centauri, o mais próximo da Terra.
Essa reflexão ocorre em um contexto de mudança nos hábitos funerários. Na Espanha, dados da Associação Nacional de Serviços Funerários (Panasef) indicam que 2024 foi o primeiro ano em que a cremação superou o enterro, atingindo 50,11% do total, tendência que também é observada nos Estados Unidos.