Nova abordagem matemática analisa 12 mil anos de demografia humana para projetar cenários populacionais
Pesquisadores da Universidade de Milão e da Queen Mary University de Londres utilizaram equações da física de materiais para analisar a demografia humana nos últimos 12 mil anos. O estudo, publicado na revista Chaos, Solitons and Fractals, projeta que a população mundial poderia atingir o pico em 2030 e cair pela metade até 2064 em cenários de crise global
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Uma nova abordagem matemática, baseada em equações da física de materiais, permitiu a análise de 12 mil anos de demografia humana para projetar cenários populacionais. O estudo, desenvolvido por Alessio Zaccone, da Universidade de Milão, e Kostya Trachenko, da Queen Mary University de Londres, e publicado na revista *Chaos, Solitons and Fractals*, utilizou a mesma fórmula aplicada ao estudo do relaxamento de átomos em vidros para reproduzir os ciclos demográficos desde o Neolítico.
A pesquisa explica a transição entre o crescimento lento de milênios, onde a expansão de impérios e aldeias não gerava impactos globais, e a explosão demográfica dos últimos dois séculos, que elevou a população de um bilhão para mais de oito bilhões de habitantes com o advento da medicina, indústria e tecnologia. O modelo fundamenta-se no parâmetro K: quando positivo, indica crescimento explosivo; quando negativo, o crescimento ocorre de forma mais lenta. Desde 1970, a humanidade opera sob o modo K negativo, caracterizado por um aumento populacional com ritmo decrescente.
A análise explora a "capacidade de carga" da Terra, definida como o limite máximo de pessoas que o planeta consegue sustentar. Para ilustrar um cenário extremo, os pesquisadores aplicaram um valor conservador de 2 bilhões de habitantes, contrastando com a população atual. A hipótese indica que, caso uma crise global — como uma pandemia devastadora, guerra em larga escala ou aceleração brusca do aquecimento global — ativasse repentinamente esses limites de sustentabilidade, a curva demográfica sofreria uma inversão imediata.
Nesse cenário hipotético, a população mundial atingiria seu pico por volta de 2030, alinhando-se a previsões recentes de Yakovenko, iniciando então uma queda acentuada que reduziria o número de habitantes à metade até o ano de 2064.
O estudo foca exclusivamente na evolução demográfica, sem integrar variáveis de políticas migratórias, fatores socioeconômicos ou inovações tecnológicas que, historicamente, expandiram a capacidade de suporte do planeta. O trabalho foi dedicado à memória de Kostya Trachenko, que faleceu pouco após a conclusão da redação do artigo.