Ciência

Nova espécie de dinossauro possuía espinhos ocos nunca registrados em vertebrados

28 de Abril de 2026 às 15:18

Cientistas identificaram na China o Haolong dongi, dinossauro do período Cretáceo Inferior com espinhos cutâneos ocos. A espécie, descrita na revista Nature Ecology & Evolution, apresenta um mecanismo de defesa inédito entre vertebrados

Uma nova espécie de dinossauro, batizada de Haolong dongi, revelou a existência de um mecanismo de defesa biológico inédito entre os vertebrados. O animal, cujo nome significa “Dragão Espinhoso”, possuía espinhos cutâneos ocos que cresciam diretamente da superfície da pele, característica nunca antes registrada em qualquer animal, seja ele vivo ou extinto.

Essas estruturas formavam uma armadura pontuda que cobria grande parte do corpo do espécime. Diferente dos chifres de rinoceronte, compostos por queratina compactada, ou dos espinhos de porco-espinho, que são pelos modificados, a anatomia do Haolong dongi não possui equivalente nos 500 milhões de anos de evolução dos vertebrados. A descoberta evidencia um experimento evolutivo que foi testado e posteriormente abandonado, já que nenhum vertebrado subsequente desenvolveu tal característica.

A análise da microestrutura interna foi possível por meio de cortes histológicos microscópicos e raios-X de alta resolução. As imagens revelaram que os espinhos tinham paredes finas e interior vazio, contrastando com os osteodermos sólidos encontrados em crocodilos e ankylossauros. A tecnologia de imageamento permitiu, inclusive, a identificação de células de pele preservadas, o que abre a possibilidade de estudos futuros identificarem a composição química original dessas estruturas.

O fóssil, um juvenil quase completo com 125 milhões de anos, data do período Cretáceo Inferior. O exemplar foi localizado na província de Liaoning, no nordeste da China, região onde erupções vulcânicas soterraram animais rapidamente em camadas de cinzas finas, preservando detalhes microscópicos como pigmentos, penas e conteúdo estomacal. Essa mesma área foi responsável, na década de 1990, por comprovar que diversos dinossauros possuíam penas, alterando a percepção científica sobre esses animais.

A descrição do animal foi publicada em fevereiro de 2026 na revista Nature Ecology & Evolution por uma equipe internacional coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS). O nome da espécie homenageia o paleontólogo chinês Dong Zhiming, referência nos estudos de dinossauros na Ásia.

Os pesquisadores ainda não determinaram o motivo pelo qual a evolução descartou essa inovação biológica, questionando se a fragilidade, o peso ou a baixa eficiência contra predadores teriam levado ao fim dessa linhagem de herbívoros. O Haolong dongi permanece como um enigma paleontológico, representando uma tecnologia de defesa única que não foi replicada em nenhum outro animal ao longo da história da vida na Terra.

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