Ciência

Nova espécie de tubarão que caminha fora da água é descoberta na costa da Nova Guiné

28 de Junho de 2026 às 09:08

Pesquisadores identificaram na Nova Guiné o Hemiscyllium dudgeonae, a décima espécie de tubarão capaz de se locomover fora da água. A descoberta, confirmada por análises genéticas e publicada na Journal of the Ocean Science Foundation, ocorreu durante expedições em recifes do sudeste do país

Nova espécie de tubarão que caminha fora da água é descoberta na costa da Nova Guiné
M.V. Erdmann

A identificação de uma nova espécie de tubarão, batizada de *Hemiscyllium dudgeonae*, amplia o grupo de elasmobrânquios capazes de se locomover fora da água. Descoberto na costa da Nova Guiné, o animal é um pequeno tubarão de recife que utiliza as nadadeiras peitorais e pélvicas para atravessar áreas rasas e plataformas de coral isoladas durante a maré baixa, movendo-se em locais com apenas alguns centímetros de água.

O registro ocorreu durante expedições nos recifes do sudeste do país, enquanto pesquisadores buscavam exemplares do "tubarão terrestre de Michael". A suspeita de que se tratava de uma espécie inédita surgiu após a captura de um exemplar marrom com manchas que divergiam do padrão esperado. Christine Dudgeon, da University of the Sunshine Coast, e a estudante de doutorado Jess Blakeway notaram que, diferentemente do padrão de leopardo característico do tubarão de Michael, o novo animal apresentava pequenas listras brancas e manchas marrons distribuídas por todo o corpo.

A hipótese foi consolidada nos dois dias seguintes, quando a equipe localizou outros 11 indivíduos em três pontos distintos dos recifes, abrangendo machos, fêmeas, juvenis e adultos com a mesma pigmentação. A confirmação definitiva veio por meio de análises genéticas realizadas na Austrália, que compararam o DNA do animal com outras nove espécies conhecidas de tubarões terrestres, validando a existência da décima espécie do grupo.

O estudo, publicado na revista *Journal of the Ocean Science Foundation*, ressalta a relevância do achado, visto que a maioria das novas espécies de peixes, tubarões e arraias costuma ser descoberta em águas profundas. Até o momento, o *Hemiscyllium dudgeonae* foi documentado em três localidades na Nova Guiné.

A continuidade das pesquisas agora foca na distribuição geográfica real da espécie. A preocupação dos cientistas é que, caso a área de ocorrência seja muito restrita, o tubarão possa se tornar vulnerável a fatores como a sobrepesca, as mudanças climáticas e a degradação dos recifes de coral.

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