Ciência

Nova tecnologia de análise de escrita revela que manuscritos do Mar Morto são mais antigos

05 de Junho de 2026 às 06:10

A Universidade de Groningen desenvolveu o sistema Enoque, que utiliza inteligência artificial para datar manuscritos do Mar Morto via análise caligráfica. A técnica identificou que fragmentos de Eclesiastes e Daniel são contemporâneos aos seus autores e que estilos de escrita coexistiram por mais tempo que o previsto. O método substitui a datação por carbono-14, evitando a destruição do material e contaminações químicas

Nova tecnologia de análise de escrita revela que manuscritos do Mar Morto são mais antigos
EFE/Shai Halevi

Uma nova metodologia de análise de escrita, desenvolvida pela Universidade de Groningen, permitiu a datação cronológica de manuscritos do Mar Morto, revelando que diversos textos bíblicos são mais antigos do que se supunha. O sistema, batizado de "Enoque", utiliza inteligência artificial para prever a antiguidade de documentos sem data conhecida, comparando estilos caligráficos com imagens de traços de tinta de manuscritos já datados fisicamente.

A técnica dispensa a datação por carbono-14, o que evita a destruição do material original. O uso dessa tecnologia corrigiu imprecisões de análises anteriores, que haviam sido comprometidas por resíduos de óleo de ricino — substância aplicada nos anos 1950 para aumentar a legibilidade dos textos e que contaminava os resultados de radiocarbono.

Entre as descobertas detalhadas em artigo na revista PLOS One, destacam-se fragmentos de Eclesiastes e Daniel. A análise indica que esses textos foram escritos na mesma época em que seus autores viveram, tornando-os os primeiros do cânone bíblico com datação paralela à sua redação. Mladen Popović, responsável pelo projeto, afirmou que agora é possível situar os escribas no mesmo momento histórico da narrativa.

O estudo também identificou que os estilos caligráficos herodiano e asmoneu coexistiram por um período maior do que as estimativas prévias. Essa observação questiona a teoria de que todos os manuscritos, encontrados nas grutas de Qumrão no século XX, tenham sido produzidos naquele assentamento, sugerindo que parte do material foi copiada em outras regiões.

Esses resultados impactam a cronologia do judaísmo antigo, indicando que a evolução da escrita e da linguagem pode ter sido influenciada por eventos políticos e sociais do Mediterrâneo oriental, como os relacionados aos ptolomeus, selêucidas ou à dinastia asmoneu, em um período anterior ao previsto.

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