Novas evidências reforçam a possibilidade de um planeta gigante no sistema solar
Três equipes de astrônomos reanalisaram dados entre 2025 e 2026 para localizar o Planeta 9 e o Planeta Y. A Universidade Nacional Tsing Hua apontou um candidato com massa de 7 a 17 vezes a terrestre, enquanto a Universidade de Princeton sugeriu um corpo com massa situada entre a de Mercúrio e a terrestre. O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, realizará o levantamento para a confirmação dos achados
A possibilidade de a existência de um planeta gigante nos confins do sistema solar ter sido confirmada ganhou novo impulso entre 2025 e 2026. Três equipes independentes de astrônomos apresentaram evidências baseadas na reanálise de dados preexistentes que não haviam sido examinados com a abordagem adequada. Caso a hipótese do Planeta 9 se concretize, este será o primeiro novo mundo integrado ao sistema solar desde a descoberta de Netuno, ocorrida há mais de 170 anos.
A fundamentação teórica para essa busca começou em 2016, quando Konstantin Batygin e Mike Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), publicaram no Astronomical Journal a observação de seis objetos distantes no Cinturão de Kuiper. Esses corpos apresentavam órbitas inclinadas e agrupadas, comportamento que indica a influência gravitacional de um corpo massivo e invisível.
Recentemente, pesquisadores da Universidade Nacional Tsing Hua, em Taiwan, revisitaram arquivos digitais dos telescópios infravermelhos IRAS, lançado em 1983, e AKARI, que operou entre 2006 e 2011. A análise resultou na identificação de 13 candidatos ao Planeta 9. Um desses corpos se destacou com massa estimada entre 7 e 17 vezes a da Terra, temperatura entre -223°C e -218°C e órbita situada entre 75 e 105 bilhões de quilômetros do Sol. Essa distância é ao menos 16 vezes superior à de Netuno, que orbita a cerca de 4,5 bilhões de quilômetros.
Em agosto de 2025, um estudo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters, liderado por Amir Siraj, da Universidade de Princeton, introduziu a possibilidade de um segundo corpo oculto, denominado Planeta Y. Siraj descreveu a situação como um enigma para o qual a existência de um corpo celeste é a solução mais provável. De acordo com a pesquisa, o Planeta Y teria massa entre a de Mercúrio e a da Terra, com inclinação orbital de no mínimo 10 graus e órbita entre 15 e 30 bilhões de quilômetros (100 a 200 vezes a distância Terra-Sol).
A necessidade de propor o Planeta Y surgiu após simulações computacionais da equipe de Princeton indicarem que as perturbações orbitais observadas não seriam totalmente explicadas apenas pelo Planeta 9. O ponto central de todas as hipóteses são as órbitas anômalas de objetos transneptunianos (TNOs) — fragmentos de rocha e gelo que, embora devessem se mover de forma aleatória, apresentam trajetórias agrupadas e inclinadas em relação ao plano do sistema solar.
A dificuldade de detecção visual é exemplificada pelo planeta anão 2017 OF201, identificado por telescópios no Chile e no Havaí entre 2011 e 2018. Com 700 km de diâmetro e uma órbita de 25 mil anos que o afasta mais de 13 bilhões de km da Terra, o objeto fica visível por menos de 1% de seu ciclo, sugerindo que outros corpos semelhantes podem estar escondidos.
Apesar dos avanços, a detecção continua indireta e os sinais infravermelhos dependem de confirmação por instrumentos modernos. Há ainda a possibilidade de que a interação gravitacional de até 200 planetas anões no Cinturão de Kuiper explique as anomalias sem a necessidade de um planeta gigante.
A confirmação definitiva deve ocorrer nos próximos anos por meio do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, que fará um levantamento do céu do hemisfério sul para detectar objetos extremamente tênues. A NASA reconhece que a comprovação desses achados redefiniria o mapa do sistema solar, embora os estudos ainda aguardem revisão por pares completa.