Novas imagens revelam que o halo da Galáxia do Sombreiro supera três vezes seu tamanho
O NOIRLab divulgou, em 24 de abril, registros da galáxia Messier 104 obtidos pela Dark Energy Camera, no Chile. Os dados apontam a existência de 2 mil aglomerados globulares, um buraco negro de um bilhão de massas solares e um halo com o triplo do tamanho da galáxia. O objeto encontra-se na constelação de Virgem, distante 30 milhões de anos-luz da Terra
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A galáxia Messier 104, popularmente chamada de Galáxia do Sombreiro, foi registrada com um nível de precisão inédito, revelando detalhes da organização de seu disco, correntes estelares e seu halo difuso. Os dados foram capturados pela Dark Energy Camera (DECam), equipamento acoplado ao telescópio Víctor M. Blanco, localizado no Chile.
Situada na constelação de Virgem, a aproximadamente 30 milhões de anos-luz da Terra, a galáxia é caracterizada por um bojo central brilhante e um disco fino atravessado por uma faixa escura de poeira. O estudo, divulgado em 24 de abril por pesquisadores do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica e Infravermelha (NOIRLab), detalha um núcleo intensamente luminoso cercado por cerca de 2.000 aglomerados globulares. O halo da estrutura, capturado nesta escala e detalhamento pela primeira vez, apresenta um diâmetro que ultrapassa três vezes o tamanho da própria galáxia.
As observações identificaram ainda uma corrente estelar tênue, formada por estrelas arrancadas de sistemas menores. A presença dessa estrutura indica que a Messier 104 passou por processos de fusão galáctica, eventos que são fundamentais para a compreensão de como grandes galáxias evoluem e crescem ao longo de bilhões de anos.
A nitidez ampliada da faixa escura, composta por gás hidrogênio e poeira fria, permitiu delimitar a região onde ocorre a maior parte da formação estelar, evidenciando que o sistema permanece ativo e em transformação. No centro da galáxia, encontra-se um buraco negro supermassivo com massa estimada em um bilhão de sóis.
O histórico de catalogação do objeto reflete a natureza cumulativa da ciência. A primeira identificação ocorreu em 1781, por Pierre Méchain, colaborador de Charles Messier. Embora William Herschel também a tenha observado de forma independente, a confirmação de que ambos os registros se referiam ao mesmo objeto foi feita décadas depois por Camille Flammarion. Esse processo garantiu a inclusão oficial da galáxia no catálogo Messier em 1921.
Atualmente, a Messier 104 serve como um laboratório natural para a astronomia. O uso de instrumentos como a DECam demonstra a capacidade de revelar camadas ocultas de objetos já conhecidos, aprimorando a investigação de fenômenos cosmológicos.