Novo dinossauro descoberto no Maranhão indica rotas migratórias entre a América do Sul e Europa
A descoberta do dinossauro Dasosaurus tocantinensis no Maranhão, detalhada em artigo de fevereiro de 2026, indica rotas migratórias entre a América do Sul e a Europa. O animal, com 20 metros de comprimento e 15 a 20 toneladas, habitou a região há 120 milhões de anos. O fóssil foi localizado em 2018 durante obras em Davinópolis

A descoberta do *Dasosaurus tocantinensis*, um saurópode que habitou o nordeste brasileiro há 120 milhões de anos, fornece novas evidências sobre as rotas migratórias de dinossauros entre a América do Sul e a Europa. Detalhado em artigo publicado no *Journal of Systematic Palaeontology* em 12 de fevereiro de 2026, o animal media aproximadamente 20 metros de comprimento e pesava entre 15 e 20 toneladas.
O fóssil foi localizado em julho de 2018 pelo arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva, durante o monitoramento ambiental de um terminal rodo-ferroviário em Davinópolis, próximo a Imperatriz, no Maranhão. O achado ocorreu por acaso durante as obras, o que levou à interrupção imediata das atividades no local. A partir disso, paleontólogos do Centro de Pesquisas em Paleontologia do Maranhão assumiram a escavação, que se estendeu por oito anos. O material recuperado consiste em costelas, vértebras e ossos pélvicos, embora o crânio completo e parte dos membros anteriores ainda não tenham sido encontrados.
A análise microscópica da estrutura óssea revelou que a espécie apresenta um crescimento intermediário entre os saurópodes antigos e os titanossauros tardios. O *Dasosaurus tocantinensis* pertence ao clado Somphospondyli, grupo de titanosauriformes que existiu do final do Jurássico ao fim do Cretáceo, mas a espécie é classificada como um membro basal, situando-se fora da linhagem dos titanossauros que dominariam o Hemisfério Sul posteriormente.
Um dos pontos centrais do estudo é a proximidade evolutiva com o *Garumbatitan morellensis*, espécie espanhola datada de 122 milhões de anos e encontrada no estado de Castelló. A existência de um ancestral comum recente entre as duas espécies reforça a teoria de que o norte da África servia como ponte terrestre, permitindo o trânsito de fauna entre os continentes por volta de 130 milhões de anos atrás, período em que o Atlântico Sul ainda não estava totalmente aberto e o supercontinente Gondwana passava por fragmentação. Esse padrão de migração também é observado em outros achados, como um percevejo escavador de 110 milhões de anos encontrado no Cariri.
O registro do *Dasosaurus* antecede em cerca de 50 milhões de anos o surgimento do *Tyrannosaurus rex*, representando uma fase remota da história paleontológica sul-americana. A região onde foi encontrado, a bacia sedimentar do Parnaíba, abrange 600 mil km² entre Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará e Ceará, sendo considerada uma das maiores reservas fósseis do Brasil devido aos seus sedimentos cretáceos expostos.
Apesar do potencial da região e do aumento de descobertas nos últimos cinco anos, especialmente no Maranhão, Ceará e Tocantins, o setor enfrenta limitações estruturais. O país possui um déficit de treinamento de equipes especializadas e financiamento de longo prazo, evidenciado pelo fato de apenas três universidades nas regiões Norte e Nordeste possuírem laboratórios de paleontologia ativos. Nesse cenário, os protocolos legais de monitoramento ambiental em obras de infraestrutura tornam-se a principal via de acesso a esses materiais.
A escavação no local do achado deve continuar, com a expectativa de que novas peças sejam recuperadas para refinar a classificação da espécie, que agora integra oficialmente o catálogo de dinossauros da América do Sul.