Novo medicamento para câncer de pâncreas quase dobra a sobrevida de pacientes em comparação à quimioterapia
A 61ª reunião da ASCO apresentou o daraxonrasibe, que dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas, e a vacina Intismeran, que reduziu quase metade do risco de recidiva no melanoma. Foram destacados ainda a eficácia de exercícios físicos e aspirina no câncer de intestino, o uso do abemaciclibe em sarcomas e a aplicação de inteligência artificial no processamento de dados oncológicos
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A 61ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em maio em Chicago, nos Estados Unidos, evidenciou uma mudança de paradigma no combate ao câncer. Em vez de focar em uma única descoberta isolada, o evento demonstrou que diferentes frentes de pesquisa estão gerando resultados relevantes simultaneamente, abrangendo desde alta tecnologia até intervenções simples.
Um dos destaques foi o estudo RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute, que apresentou o daraxonrasibe. O medicamento ataca o gene RAS — identificado em tumores humanos em 1982 e presente em quase um terço dos tumores — e foca no câncer de pâncreas, doença com sobrevida de cinco anos de cerca de 3%. Os dados revelaram que o novo tratamento quase dobrou a sobrevida dos pacientes quando comparado à quimioterapia.
Paralelamente, a oncologia avança com vacinas personalizadas baseadas na tecnologia de mRNA. O processo consiste em analisar o material genético do tumor após a cirurgia para identificar mutações específicas e produzir uma vacina que treina o sistema imune para eliminar aquelas células. Resultados de cinco anos de estudo com pacientes de melanoma de alto risco mostraram que a vacina Intismeran, combinada à imunoterapia, reduziu em quase metade o risco de recidiva ou morte. Cerca de 69% desses pacientes permaneceram livres da doença após cinco anos. A estratégia está sendo testada agora em tumores de bexiga, pulmão e pâncreas.
Outra vertente de progresso envolve a eficácia de métodos acessíveis e o reposicionamento de fármacos. O estudo internacional CHALLENGE indicou que programas estruturados de exercícios físicos após a cirurgia de câncer de intestino aumentaram a sobrevida livre da doença em cinco anos para 80,3%, contra 73,9% do grupo que recebeu apenas orientações educativas. Pesquisadores também apontaram que tais programas são vantajosos financeiramente para sistemas de saúde.
No campo do reposicionamento de drogas, doses baixas de aspirina reduziram pela metade o risco de retorno da doença em pacientes com câncer de intestino identificados por exames genéticos. Já o abemaciclibe, originalmente criado para câncer de mama, tornou-se o primeiro tratamento eficaz contra um tipo raro e agressivo de sarcoma, pois ambas as patologias compartilham a mesma falha biológica celular.
A inteligência artificial (IA) surge como o elemento integrador dessas diversas abordagens. Embora não tenha inventado as descobertas, a IA é utilizada para processar grandes volumes de dados e identificar padrões, como prever mutações reconhecidas pelo sistema imune ou determinar quais pacientes respondem a medicamentos específicos. Devido ao crescimento desses estudos, a ASCO criou trilhas dedicadas ao tema, incluindo a aplicação dessas ferramentas em regiões com poucos recursos.