Objeto invisível detectado entre a Terra e galáxia satélite pode ser um buraco negro primordial
O objeto invisível Phoebe foi detectado entre a Terra e a Grande Nuvem de Magalhães via microlente gravitacional pela Dark Energy Camera. Com massa estimada em três vezes a da Lua, o corpo possivelmente integra o halo de matéria escura da Via Láctea. O estudo publicado no arXiv indica que o objeto é um candidato a buraco negro primordial
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Um objeto invisível, batizado de Phoebe, foi detectado entre a Terra e uma estrela na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia satélite da Via Láctea. A observação ocorreu por meio de um evento de microlente gravitacional que durou aproximadamente uma hora, conforme detalhado em estudo publicado como prepublicação no arXiv.
O registro foi realizado com a Dark Energy Camera (DECam). O fenômeno baseia-se na física relativista, na qual a massa de um corpo posicionado entre o observador e uma fonte de luz distante deforma o espaço-tempo, amplificando temporariamente o brilho da estrela de fundo. Esse mecanismo permite a identificação de corpos que não emitem luz.
A análise do evento indica que a probabilidade de Phoebe integrar o halo de matéria escura da Via Láctea é 100 mil vezes maior do que a de ser um objeto pertencente à própria Grande Nuvem de Magalhães. A localização do corpo altera a interpretação de sua massa: se estivesse na galáxia satélite, seria um objeto massivo, como um planeta em órbita ampla ou um planeta errante. Contudo, estando no halo galáctico, sua massa seria reduzida, equivalendo a cerca de três vezes a massa da Lua.
Essa característica de baixa massa torna o objeto um candidato a buraco negro primordial. Diferente dos buracos negros resultantes do colapso estelar, esses corpos hipotéticos teriam se formado nos instantes iniciais do universo, sob condições extremas de concentração de matéria, antes do surgimento de galáxias e estrelas. Tais objetos são apontados como uma possível explicação para a composição da matéria escura.
Embora a detecção de Phoebe forneça uma pista sobre a natureza da matéria escura e a origem do universo, os autores do estudo ressaltam que a hipótese de um buraco negro primordial ainda requer novas verificações e a identificação de eventos semelhantes para ser confirmada.