Objeto não identificado lançado por foguete chinês reacende debate sobre atividades espaciais de Pequim
Radar Kiwi Space e LeoLabs detectaram objeto não identificado lançado pelo foguete chinês Shenlong em 7 de fevereiro. O veículo, desenvolvido por órgão estatal, integra programa de testes tecnológicos para naves reutilizáveis. A função do item em órbita permanece desconhecida
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A detecção de um objeto não identificado em órbita, lançado pelo foguete experimental chinês Shenlong (Dragão Divino), reacendeu o debate sobre as atividades espaciais de Pequim. A descoberta foi inicialmente registrada pelo radar Kiwi Space, na Nova Zelândia, e posteriormente confirmada pela rede global de vigilância LeoLabs. Após análises do sistema LeoLabs Delta, a empresa catalogou o item de forma independente, vinculando seu lançamento ao veículo chinês.
O foguete, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Veículos de Lançamento da China — órgão estatal que atua tanto na esfera civil quanto militar —, partiu em 7 de fevereiro em sua quarta missão orbital. O veículo permanece no espaço sem que haja uma data pública para o seu retorno. Embora a agência Xinhua classifique o programa como uma iniciativa de testes tecnológicos para naves reutilizáveis e suporte ao uso pacífico do espaço, a função do objeto lançado permanece desconhecida, dado que o governo chinês forneceu apenas detalhes técnicos limitados.
Este evento repete um padrão do programa Shenlong, que já havia liberado objetos não identificados em voos anteriores, inclusive com a emissão de sinais em órbita, sem que houvesse anúncios ou confirmações oficiais da China.
Desde sua estreia em 2020, com uma missão de dois dias encerrada no centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, o programa apresentou evolução técnica. Em agosto de 2022, o veículo orbitou a Terra por 276 dias. Já em dezembro de 2023, completou uma missão de 268 dias que incluiu voo em formação, decolagem vertical, pouso horizontal e operações de captura e acoplamento.
O sigilo em torno dessas operações levou a Secure World Foundation a levantar a possibilidade de o Shenlong atuar como plataforma de inteligência, vigilância, alerta precoce ou lançamento de sistemas militares. O cenário de monitoramento é intensificado pelo fato de o X-37, da Força Espacial dos Estados Unidos, também se encontrar em sua oitava missão orbital, evidenciando a tendência de uso de veículos reutilizáveis com objetivos não totalmente revelados.